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segunda-feira, 19 de março de 2012

be for


Dizem que é se perdendo que a gente se encontra. 
Talvez seja isso mesmo. Mas se encontrar assim, pra sempre, isso não existe. A gente tá sempre em transformação. Tá sempre recebendo informação, desenvolvendo idéias, mudando o ponto de vista. A gente vive tipo um processo de enriquecimento, cada vez com mais valor agregado. Ou menos, depende né? Mas é bom que seja mais.

Eu ando escutando muito por aí que tô muito mudada. Que antes eu não era assim, não ouvia isso, não comia daquilo, não ia lá. Só que o tom é crítico, sabe? Quase um deboche. Eu acho triste, só isso. Nada do que venham me dizer vai me tirar desse caminho de auto conhecimento e auto construção. Sinto pouco se isso incomoda. Na verdade, sinto nada. Só desejo que um dia essas pessoas que me julgam um dia venham a se despir de preconceitos também, e consigam sorver da vida tudo que ela tem a oferecer. Se já passaram da idade, aí sinto muitíssimo mesmo, porque quem pensa assim é velho da cabeça, e a juventude do espírito é um dos maiores bens de um ser humano. O caminho certo pra ser feliz nessa vida parece ser mesmo esse: abrir os olhos, a cabeça e os braços, e se jogar nela.

Assim que eu conquistei a liberdade pra ir a Santa Luzia de ônibus em pleno domingo a tarde por conta de um aniversário. E assim também que eu consegui descobrir grandes músicos desse Brasil afora, que preocupam mais com a música que fazem do que a conta no banco. E assim que eu subi num palco do grande teatro da capital mineira pra pular e cantar junto com tanta gente feliz. E assim também que eu consegui desbravar os bares do centro da cidade, e os ônibus circulares, e as casas de show nos lugares mais distantes e menos convencionais. 

Com essa cabeça aberta que eu ando vivendo.
E tá muito bom assim.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Hiato

Então, o computador continua estragado. A preguiça é sempre maior que a vontade de tê-lo de volta, então eu me viro entre o celular com wi-fi e computadores alheios. Confesso que já começa a me fazer falta.

Mas esse paradeiro no blog - que interrompo neste breve post - não se assemelha em nada à minha vida. Engraçado como as coisas podem mudar de um instante para o outro. Engraçado como esse sentimento de juventude livre e viva invadiu meu espírito. É bom. Sair quando o telefone lhe chama ou quando a vontade bate. Ir sem pensar muito, conecer lugares, pessoas, músicas. É tudo tão novo e tão puro.

Ando orgulhosa também. Por pertencer a essa geração que faz protesto com jeito de poesia, festival de música com paz e alegria. Essa parte da minha geração que eu ando frequentando é de dar orgulho. Pena que ainda restam tantos estereótipos e preconceitos. Mas é só não dar importância, pena de quem perde a oportunidade de viver esse instante. Como diriam os cabeças da geração, tão bom viver nesse instante.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Somos Instantes

Viver é tentar.
A gente quase nunca consegue, é verdade. Talvez, ainda mais verdade é que nunca conseguimos. Mas sem um motivo, sem uma razão, viver não tem sentido. E é por isso que sonhamos, planejamos, esperamos. Temos medos. Muitos, claro. E é por isso que tentamos.
O propósito da vida não é conseguir, nunca foi.
O grande propósito da vida é simplesmente viver, e quase sempre nos esquecemos disso. E nos frustamos quando não conseguimos, ou quando os outros parecem conseguir mais que nós. Mas a vida é isso mesmo.
E felicidade, felicidade é um momento. Felicidade vem, muda tudo, e passa.
Tristeza não é diferente. É na verdade bem igual: vem, muda tudo, e passa. Mas nos acostumamos a valorizar mais a felicidade do que a tristeza, e penso ser esse o grande mal da humanidade. Querer ser feliz pra sempre, e temer a tristeza sempre.
No final das contas, a felicidade é um momento.
A tristeza é um momento.
E é bem isso que somos: instantes.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Para trás?

Carta a um(a) psicólogo(a) que queira por algum motivo tentar me entender e me ajudar a entender minha cabeça, e acalmar meu coraçãozinho aflito:

Caro psicólogo,
Dizem que pra entender uma coisa a gente tem que começar pelo... começo, né? Pois bem, ao começo: eu quis ser professora na minha infância, jornalista e estilista na minha pré-adolescência (eu queria ser os dois - de preferência uma jornalista de moda e estilista nas horas vagas), e até os 13 anos eu tinha certo na minha cabeça que seria jornalista. Devido a problemas familiares, fui parar na casa dos meus avós, em um período difícil e cheio de problemas. Eu assistia aquele seriado médico, E.R., e foi dele que surgiu a minha vontade de ser médica. Mais por uma necessidade de ter um propósito de vida naquele momento do que por realmente entender a profissão e tudo que ela exige. Na época a imaturidade era tanta que na minha cabeça eu ia estudar medicina em Harvard ou Yale (influência de outro seriado, Gilmore Girls), ia morar em Chicago e trabalhar no County General. Eu realmente acreditava que ia estudar nos EUA, até o dia que eu resolvi fazer uma pesquisa, e descobri que eram necessários 40 mil dólares anuais para estudar lá. Com umas continhas simples e rápidas eu percebi que aquilo estava muito além das minhas possibilidades. A solução imediata foi começar a economizar o dinheiro do lanche, com o intuito de juntar todo o dinheiro até eu entrar na faculdade. Idiotices a parte, fui amadurecendo e percebendo que era mais provável que eu não conseguisse sair do país mesmo, e resolvi me contentar com uma universidade federal mesmo. Foi aí que eu resolvi mudar de escola, e encarar o desafio de estudar no colégio que mais aprovava alunos para medicina da UFMG. Eram mais de 60% das vagas, e eu achava aquilo incrível. Na época minha família já se encontrava bem estruturada novamente, e fui.
Entrei para o Bernoulli e logo me deparei com a verdade sobre o vestibular de medicina: daqueles 240 alunos, apenas 8, no máximo 10 tinham embarcado na universidade direto do ensino médio. Foi um baque para a minha pura pessoinha, que acreditava que passar no vestibular de medicina era simplesmente uma questão de estudar no lugar certo. Logo no meio do ano eu já tinha desistido de fazer medicina, e rondava na minha cabeça a ideia de fazer relações internacionais. A utopia agora era outra: eu seria uma diplomata, trabalhando na ONU e lutando pelos direitos das pessoas pobres da África. Enfim, eu não contava sobre a minha desistência para ninguém da família, pois tinha medo que minha mãe me fizesse mudar de escola.
No segundo ano, passei por uma depressão fud***, e uma das coisas que mais me incomodava era esse não dizer. Eu já tinha chutado o balde, não aguentava mais aquela escola e resolvi falar pra quem quisesse ouvir que eu não queria mais fazer medicina. O fato é: isso não me fez sair da escola (ainda bem), nem me fez melhorar.
No terceiro ano do ensino médio tudo melhorou. Fiquei feliz, equilibrada e tranquila, mas até o meio do ano para mim ainda existia a grande dúvida: o que eu vou fazer? Tive a fase da moda (eu tenho mania de confundir hobby com profissão), tive a fase da economia e um lapso de direito. Mas acabei me decidindo realmente pela medicina. Fiz o vestibular, mas não tinha a menor esperança de passar para a segunda fase. Acontece que eu acabei passando, nas duas universidades que eu tinha feito inscrição, mas já era tarde e eu não tinha estudado tanto quanto deveria. Não passei da segunda fase, mas ter passado da primeira me deu um sopro de esperança, um gostinho bom.
Nesse ano então, comecei a encarar o meu primeiro ano de cursinho. Tudo ia bem (apesar de ser um saco, as pessoas serem muito chatas, etc) até o dia que a UFMG resolveu tirar a nota da redação da primeira etapa. Foi um balde de água gelada. Eu só passei para a segunda etapa por causa da nota da minha redação, que é o meu forte. Passar, antes, era uma possibilidade palpável. Agora, era bem remota, quase impossível. Foi uma semana de cão, minha cabeça a mil, e eu só pensava em desistir. Na última segunda feira, depois dessa semana de cão, pensei muito e cheguei a uma conclusão: como diria a minha tia Patinha, medicina é uma profissão que exige tudo de você e não te dá nada em troca. É uma vidinha de merda, porrada atrás de porrada, esforço, e mais esforço. É uma prova de resistência. Você tem que passar no vestibular, o que é uma luta suada e fudida. Depois vem o curso, quando você estuda, estuda, estuda, por 6 anos e não pode trabalhar - é um atestado de pobreza. Depois, acabou!! O curso. Agora vem a residência: mais um vestibular, mais 2 anos de estudo árduo, muita ralação e pouco dinheiro. Oito anos depois, você ainda tem mais uma coisa a fazer: especialização. Aí é hora de começar a pensar em acabar. Você vai ficar uns 2, 3 anos, e só depois, agora sim, você pode começar a pensar em ganhar dinheiro. Ufa. Isso é, você pode pensar. Maaas, atualmente ser médico não é garantia de ficar rico depois que formar. Ainda mais na minha situação, quando você não tem pais, mãe, avós que são médicos. Você corre o risco de ter que se sujeitar a trabalhar em um posto de saúde numa periferia ou interior, ganhar porra nenhuma e trabalhar pra caralho, e ainda não ter condição nenhuma de tratar seus pacientes com dignidade por que o Estado não te garante nem uma luva cirúrgica direito.
Tem outra opção, um pouco menos pior: você pode se sujeitar a ser explorado por um plano de saúde - ou vários ao mesmo tempo - que vai te pagar pouco, vai fazer você atender 4 pacientes por hora (pra ganhar mais), e você nunca vai conseguir saber nem o nome dos seus pacientes direito.
Vamos agora ao meu raciocínio: se eu fizer direito, eu vou poder:
1- trabalhar durante o curso, ganhando dinheiro de verdade;
2- começar minha vida antes, bem antes;
3- ter várias áreas de atuação, sem depender de planos de saúde e do governo, e ainda tem sempre a opção do concurso público (apesar de eu ser veemente contra esse bando de atoa que fica mamando nos cofres do Estado).
Aí, vem algum hipócrita e me pergunta: mas você então vai fazer direito ou medicina por dinheiro. Eu te respondo: você trabalha para que? Se eu não precisasse ganhar dinheiro, eu ia ler, estudar, cozinhar, viajar pelo mundo, fazer trabalho voluntário!!! Eu não ia ficar ralando meu traseiro para conseguir dinheiro não. Se Webber acha que o trabalho enobrece o homem, eu digo: o que enobrece o homem é a vida que ele constrói. Politico corrupto nenhum é nobre porque trabalha. Advogado corrupto nenhum é nobre porque trabalha. A dignidade do homem não está ligada ao trabalho, e a profissão não deveria ser a coisa mais importante da vida de ninguém. E, definitivamente, não é a coisa mais importante da minha vida.
Agora vamos aos meus objetivos de vida: o que eu quero? Eu quero uma coisa: ter possibilidade e oportunidade de fazer as coisas que eu gosto. Por possibilidade, entenda-se dinheiro, e por oportunidade entenda-se tempo. Pois é. Medicina pode talvez me proporcionar possibilidades, e muito provavelmente não me proporcionará muitas oportunidades. Direito por outro lado pode me proporcionar os dois.
Mas o que ainda me prende à medicina? E o que ainda me deixa insegura em relação ao direito?
O que me prende à medicina é a imagem que as vezes vem na minha cabeça: eu, vestida em um avental azul com jaleco branco e um estetoscópio no pescoço, olhando para uma radiografia, ou então numa sala de cirurgia com um bisturi na mão.
O que ainda me deixa insegura em relação ao direito, é que eu nunca - para falar verdade - tive interesse em advogar. Não sei falar em público, e fico vermelha quando sou obrigada. Não sei se o curso deve ser legal, mais ou menos eu acho.
Ao mesmo tempo, o que me traz insegurança é também o que me desafia: fazer direito seria um grande desafio pessoal para mim, ia me tirar desse mundinho introspectivo. Eu ia ter que colocar a cara no mundo, botar minhas perninhas para andar. Medicina ia me manter na zona de conforto: ficar estudando apenas pelos próximos 8 anos.


Então, caro psicólogo, o que você me diz sobre este dilema?

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Complexidade do ser

Desde a minha última briga com minha mãe, essa semana (sim, elas são recorrentes), que eu fiquei com uma coisa na cabeça. Ela me acusou, entre outras coisas que eu não concordo, de ser arrogante. Pensei, pensei, pensei. Cheguei à conclusão de que sou sim, arrogante. Ainda estou me acostumando com a idéia, pensando em todas as minhas atitudes que demonstram isso, e tentando encontrar uma forma de amenizar tal defeito.
Eu sempre achei que meu maior defeito fosse a minha insegurança. Mas, olha que complexo: eu sou muito segura por dentro: eu tenho opiniões fortes, sei o que quero e o que não quero quase sempre, sinto e pressinto muita coisa, mas isso tudo fica dentro de mim. Pra fora, pro mundo eu sou muito insegura. Não sei se por isso que me tornei arrogante - para disfarçar a minha insegurança - ou se o excesso de segurança que tenho pela minha pessoa que fez com que eu me tornasse arrogante. Vai ver é um ciclo vicioso, e eu nem sei.
Sei, é que quase tudo que está errado na minha vida deve-se a um desses dois grandes defeitos: não tenho namorado porque sou insegura e arrogante - ninguém é bom o suficiente para mim. Não passei no vestibular mais por causa da minha arrogancia, do que minha insegurança. Minhas amizades são muito superficiais porque eu sempre acho que os outros não são tão bons quanto eu, e aqueles que o são, eu sou muito insegura para ir falar com eles, e fazer amizade.
Minha insegurança talvez seja meu maior defeito para dentro, enquanto seu espelho externo - a arrogancia - seja ameu maior defeito para fora.

Exageros a parte, a coisa ainda se desenrola na minha cabeça. É dificil enxergar um grande defeito, que traz tantos prejuízos para a vida, ao mesmo tempo que é bom saber enxergá-lo. É dificil. Mas é melhor encará-lo, e tentar mudar alguma coisa aqui dentro, porque desse jeito que está, não pode ficar.

sábado, 11 de dezembro de 2010

As madrugadas me deixam pessimista.

Algumas pessoas fracassam pelo medo de fracassar. Tem gente que fracassa por puro e simples comodismo, e tem quem fracasse por estar sempre tentando não fracassar. A verdade é que a vida nos conduz ao fracasso, nosso fim será sempre o fracasso. Os otimistas sempre acabam fracassando, e os pessimistas são aqueles que menos fracassam, pois não esperam tanto da vida. As pessoas mais inteligentes são aquelas que têm sempre uma visão negativa da vida, já percebeu? Nenhum grande filósofo ou estudioso é otimista, nem vê o mundo como um bom lugar para se viver.
Mas dentro de mim, existe uma vontade de viver que cala todo o meu ceticismo em relação à vida. Essa vontade de viver que me encontra durante o dia, quando uma brisa me traz ternura, ou um sorriso de uma criança na rua. Mas o ceticismo me encontra também, nas madrugadas solitárias regadas a embriaguez e melodias. É quando me escapa a dúvida em relação à credibilidade que tenho na vida, e às certezas que construi ao longo dos meus curtos 18 anos. Nessas horas eu não me encontro, não vejo muita razão em tudo ou quase que construo.
Vejo-me apenas como mais um embrião de fracassos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A escola da minha vida

Hoje foi a minha colação de grau. Enquanto eu aguardava a minha vez de receber meu diploma, um filminho começou a passar na minha cabeça e trouxe de volta todos os grandes momentos dos últimos três anos. Me lembrei da primeira vez que passei na porta do Bernoulli, e de como conseguia me imaginar ali dentro. Lembrei do teste que eu fiz, de como tudo aquilo era novo e grandioso, de toda a expectativa de chegar o dia 11 de outubro de 2007, quando sairia o resultado, e me lembrei também da minha felicidade quando liguei para a secretária do colégio, e uma pessoa me informou que eu estava aprovada. Lembrei da reunião que foi mais uma palestra, quando comecei a admirar os criadores daquela idéia chamada Bernoulli, e de como sai dali decidida a fazer as coisas darem certo. Me lembrei da expecativa das férias de janeiro, quando eu fui comprar material escolar, e fui comprar o uniforme também que (que novidade!) teria meu nome estampado no peito. Lembrei do primeiro dia de aula, quando me sentei no fundo mais ou menos daquela sala cheia de estranhos, que eram a maioria novatos como eu, e onde alguns outros veteranos já arredavam carteiras, conversavam e brincavam de forma descontraida com os professores. Lembrei de todas as primeiras aulas no Bernoulli, quando cada cara nova que entrava ali despertava em mim uma curiosidade ainda maior. Lembro da expectativa da primeira prova, e de como a minha ilusão de que para passar no vestibular bastava estudar no Bernoulli veio ao chão com apenas algumas semanas de aula. Lembrei de todo o percurso do primeiro ano, quando uma parte de mim descobria o mundo, enquanto outra parte descobria uma palavrinha muito importante: responsabilidade. Meu primeiro ano foi aos trancos e barrancos, muitas recuperações, muitos estudos e muito desespero na hora das provas. No primeiro ano, consegui aprender o segredo do Bernoulli: mesclar responsabilidade com liberdade, e isso é possível. O segundo ano foi feito de grandes aprendizados, sem muito sufoco e com uma ajuda divina para eu onseguir passar de ano. Sim, porque passar de ano antes das provas finais foi um feito inédito no meu ensino médio, e confesso que o mérito não foi meu. Veio então o filminho desse terceiro ano. O último e mais temido ano, que tenho orgulho de dizer que foi o melhor da minha vida. Parece que tudo que tinha para dar errado, deu errado nesse ano. Foi a UFMG que mudou a primeira fase, o ENEM que foi anulado e depois não, e depois sim mas só para alguns. E mesmo assim, conseguimos driblar os problemas, estampar um sorriso no rosto e continuar andando em direção aos nossos sonhos. E seria tudo diferente, se não pudéssemos contar com a maior e mais grandiosa equipe de professores. A única coisa que me tranquilizava em todos os momentos que fomos postos a prova ao longo desse ano, era a confiança em cada um deles, e na instituição como um todo. Ser professor de terceiro ano não me parece ser uma tarefa fácil. Pelo contrário, é um cargo de imensa responsabilidade: eles têm que zelar pelo ensino e pela nossa sanidade mental ao longo do ano. Posso dizer que todos os professores do Bernoulli cumpriram seus papeis com excelência. Cada um deles conseguiu extrair dos momentos mais difíceis uma luz no fim do túnel, e dos momentos mais alegres algum aprendizado. Eles foram demais!!! O meu único sentimento agora, é de extrema gratidão. Meu desejo, era poder colocar cada um deles em um potinho, e levá-los comigo pelo resto da minha vida para que continuem a ser grandes mentores e mestres. Meu desejo era poder abraçar cada um de vocês e presenteá-los com o que há de mais valioso nesse mundo: uma tonelada de muita felicidade. Essa foi a escola em que eu me construí, foi a escola que deixou a menina para trás e onde uma mulher começou a se formar. Essa foi a escola da minha vida, para a minha vida.

domingo, 28 de novembro de 2010

The Art

É por isso que eu ando me refugiando em livros, poemas, filmes e músicas.
É para tirar a poeira do dia-a-dia, para descansar a cabeça e conseguir colocar as coisas em ordem aqui dentro.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Creating myself

Isso é o que eu sinto quando escuto Samba a Dois, ou quando olho pra minha prateleira e vejo meu cd do Bob Dylan, meus DVDs dos três filmes sobre grandes mulheres, e meus livros de poesia e romance inglês. É isso que eu sinto quando visto minha blusa que traz estampada uma declaração de amor a São Paulo, ou quando eu amarro aquele All Star de couro que é o meu primeiro, e que eu comprei sem pressão de nenhuma modinha. É o que eu sinto quando olho para os meus discos de vinil, ou para as minhas bonequinhas chinesas que fazem par com uma garrafa de vidro preenchida por cinco flores que eu comprei na Serra do Cipó, em uma lojinha de artesanato. É o que eu sinto quando escuto das pessoas que eu sou diferente, e quando eu visto meu suéter vermelho que eu comprei também sem pressão nenhuma de modinhas alheias. É o que eu sinto quando vou passando as músicas no meu iPod e escuto desde Tom Jobim, até The Strokes, passando por Abba, Bob Dylan, The Beatles, I Blame Coco, Frank Sinatra e Los Hermanos. É o que eu sinto quando vejo a cara de espanto das pessoas ao escutarem que eu vou fazer vestibular em São Paulo só pra poder ir no show do Paul McCartney, porque é o meu sonho e as datas coincidiram.
Porque agente não existe para ser achado. Nós existimos para sermos construídos.

domingo, 31 de outubro de 2010

Re-inventando

Quanto mais conheço os seres humanos, mais gosto das formigas.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sobre medos, quedas e aprendizado.

Nunca fui uma pessoa lá muito impulsiva, e semre gostei de ter tempo para analisar as possibilidadees, avaliar os riscos e pensar bastante. Semana passada recebi um convite para passar o fim de semana no meio do mato, num hotel fazenda com a familia do meu primo, onde eu seria tipo "a intrusa" mesmo. Como não tinha muito tempo pra pensar, respondi em alto e bom som um"sim" que soou cheio de certeza, mas na verdade dentro de mim haviam muitas dúvidas. Mas como disse aquele sim, meio que por impulso, meio por medo, resolvi ir mesmo. Fui, e continuei com o espirito impulsivo em todos os dias, sem pensar muito na hora de dizer sim às propostas, sem pensar muito na hora de me arriscar subindo pedras e mergulhando na escuridão de um rio profundo. Enfrentei dois grandes medos, ou temores que é uma palavra mais delicada, durante esse final de semana. Nadei naquela cachoeira que normalmente me encheria de medo, e desabrochei em um ingles autodidata que acabou rendendo elogios, quando o normal teria sido eu continuar fingindo de surda para todas aquelas palavras conhecidas dos meus pouco vividos ouvidinhos. Enfrentei outros medos tambem, não tão grandes. O medo de falar exatamente o que penso, de colocar pra fora algumas coisinhas que andam acontecendo nessa cabecinha que é tão intensa as vezes. Enfrentei o medo de sentar em uma mesa de pessoas pouco conhecidas e desabar a falar. Até andar descalça no meio do mato eu andei. E fui pisando naquelas pedrinhas pontiagudas, e de repente parei de senti-las. Parei de sentir a dorzinha e o incomodo que elas me proporcionavam para sentir a liberdade que a falta de um solado me dava. Andando por aquela cachoeira, sentindo cada pedra lisa e fria, mergulhando na agua gelada, escorregando no lodo das pedras, me senti de repente livre. Um tipo de liberdade que há tempos não sentia, e que me deu aquela sensação de pertencimento, quando você consegue se pertencer, e você se basta. Aprendi também uma coisa muito importante nesse final de semana. Caminhando pela cachoeira, levei um tombo, daqueles bem ridiculos mesmo. E foi quando me levantei que percebi que nem havia doído tanto quanto eu imaginava. Aprendi, que melhor que saber andar, é saber cair. E melhor ainda que saber cair, é saber se levantar e continuar andando, sem ter medo de passar por ali. E foi assim que tomei confiança para passar por ali todos os dias sem temer a queda. Foi uma viagem interessante, que não foi externamente intensa, mas dentro de mim a intensidade de sentimentos e experiências poderia ser descrita com uma palavra: viver.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Pé no chão, ou não?

Foi um ato falho que deu voz a uma dúvida. Um "eu também" mais despretensioso que escapuliu num momento que meu filtro não funcionava, e de repente a única certeza que eu já tinha lutado tanto pra aceitar, virou incerteza de novo. De repente me vejo, com a seguinte pergunta: medicina ou moda? O que mais me deixou em dúvida, foi perceber que são dois caminhos completamente diferentes, cada um com sua dificuldades, cada um com seus benefícios, e cada um com seu encanto. A começar pela medicina, profissão tão bonita, clássica. Há tempos que as pessoas dizem que eu daria uma boa médica, e sinto o mesmo. Tenho sim alguns sonhos como passar uma temporada na África junto dos Médicos Sem Fronteiras, e me perder por um litoral e uma cidadezinha de interior bem charmosa por um ano, ou mais. Mas carregar esse título de Doutora traz também responsabilidades, e muitos desafios. A começar, pelo curso, o vestibular e tudo mais. Depois virá uma vida sem hora pra chegar em casa, com plantões e ligações no meio da noite. E o sucesso as vezes demora a chegar... Mas pode valer a pena. A moda, por outro lado, desperta em mim um sentimento de liberdade, de poder me conhecer melhor. Explorar meus limites, os limites do mundo. A moda me traz um frescor. Uma vontade de viver e de correr atrás. Explorar o mundo, e são tantas as possibilidades. Claro que existe o preconceito, e também as chances de nada dar certo. Mas eu acredito que o bom trabalho, aquele feito com amor e vontade, é sempre recompensado. E é nisso que eu foco: na vontade de dar certo. O que me leva a um é o que me prende ao outro... o medo. Medo de um não dar certo, e medo do outro ser demorado e custoso. Os dois me atraem, cada um a sua maneira. Um pelas possibilidades, e o outro pelas certezas. E me bate uma dúvida... Acho que pra moda, seria necessário um impulso, quase imprudente, que viesse bem lá de dentro de mim. E hoje me peguei pensando, porque é que agente tem que escolher tão cedo o que vai fazer pela vida inteira? Somos tão imaturos, e sem experiência nenhuma. Talvez, o motivo pra fazer essa escolha tão cedo, é que a juventude traz consigo aquele frescor, que precisamos pra cometer loucuras.

domingo, 25 de abril de 2010

Sobre amor, tristeza e a vida.

A história da Cris Guerra já é do conhecimento de muita gente. Ela fez da tristeza e da dor, muito amor. E espalhou esse amor pra todos os leitores dela, e ele foi crescendo, e crescendo, e continua a crescer. A Cris foi um dos motivos pra eu começar a escrever nos blogs. A Cris me mostrou que escrevendo agente pode conseguir colocar as coisas da cabeça e do coração em ordem. Quando eu comecei a escrever, percebi que era o meu dedo tocar o teclado que não mais a minha cabeça que mandava. Era o meu coração que ia despejando cada palavra. Tanto é, que as vezes eu leio as coisas que escrevi há algum tempo e nem consigo acreditar que fui eu que escrevi. E até hoje é assim. Hoje, estava pensando sobre a tristeza, o amor e a vida. Como já disse aqui antes, demorou mas eu consegui entender que felicidade não é estado de espírito. Felicidade é o momento. E assim como a felicidade, a tristeza também é momento. E a tristeza, a dor, também fazem bem, muito bem, quando estamos equilibrados. Mais tarde, entrei no blog da Cris e li isso aqui, que me deu uma dorzinha no coração. Mas foi uma dor boa. Veio pra reforçar a idéia de que o amor existe. E que vale a pena viver por ele e para ele. Ainda que não tenha encontrado esse amor, agente continua procurando. Porque a vida, é linda.

sábado, 13 de março de 2010

Algumas palavras sobre a vida

Semana passada um amigo do meu irmão, com 20 anos, descobriu que está com leucemia. A notícia me deixou super abalada, e veio pra me ajudar a formular tudo o que eu ando vivendo. Lembrei de uma moça, de 26 anos que passou de primeira no vestibular pra medicina, se formou com louvor, fez especialização. Estava voltando do noivado do irmão, e morreu em um acidente de carro. Outra história, é de um jovem de 24 anos, formado em fisioterapia, tinha acabdo de concluir a pós-graduação, estava dando várias aulas de pilates e começando a vencer na vida. Ficou gripado ano passado, a gripe não passava. Foi parar no hospital na quinta de tarde, e morreu sexta feira a noite, de gripe suína. Essas histórias me fizeram pensar... Gente jovem, de 20 e poucos anos, que passou parte da vida preparando....a vida. Cheguei a conclusão que agente tem mesmo é que viver, e não se preparar pra viver. Isso agente faz provavelmente em um cursinho preparatório, bem antes de nascer. Perder a vida se preparando pra ela, não faz nenhum sentido. Mas isso não quer dizer também que temos que virar bebados, loucos, vagabundos, com o objetivo único de se divertir, porque isso também, não é viver. Viver é ir levando a vida, acumulando o máximo possível de momentos felizes, fazendo o bem pra si mesmo e para os outros, e crescendo como ser humano. Outro dia me perguntaram se eu era feliz. Parei um pouco pra pensar, e cheguei à conclusão de que felicidade não é estado de espirito. Felicidade é um momento, e passa. O que não passa é a lembrança que fica, o que chamamos de experiência. Isso, nunca passa. Estado de espirito é o equilibrio. E se tem uma coisa que eu posso dizer que sou - agora sim - é equilibrada.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

2010

Esse ano que é tão bonito.
Que é tão inteiro, tão completo, tão cheio.
Cheio de esperança, cheio de planos, de vontades.
De expectativas, e muita, muita vontade de fazer tudo dar muito certo.
2009 deixou muita coisa por fazer. 2009 foi um ano intenso, que me levou a todos os meus limites. Que me fez extender um por um, num jogo cego de tentativas. Que 2010 seja um ano tão intenso quanto 2009, mas intenso no que diz respeito ao amor, ao sucesso, a alegria.
Feliz 2010!!!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Desafio

Final de ano é tempo de pensar em tudo o que aconteceu, o que não aconteceu e começar a pensar no que pode vir a acontecer no próximo ano. Essa última parte eu vou deixar para o último post do ano, mas a retrospectiva que eu adoro fazer vai ser aqui, e hoje mesmo.
Esse ano não foi impossível, mas passou longe de ser um ano fácil, tranquilo ou feliz. Olhando de longe, pareceu uma avalanche atrás da outra, e eu tentando sobreviver a todas elas. Mas a notícia boa é que eu consegui sobreviver a tudo. É como se depois de correr, correr e correr de várias bolas de neve gigantes, eu tivesse encontrado um muro altíssimo pra me esconder. E fiquei ali vendo tudo passar, até que de repente aquele silêncio ensurdecedor tomou conta do lugar. E esse momento é o agora, quando eu começo a perceber que no final, tudo deu certo mesmo. E começo então a pensar nas possibilidades pra continuar andando, sem precisar fugir de mais avalanches.
Outro dia me perguntaram como eu resumiria esse ano em uma palavra. Na hora eu não consegui pensar em uma só palavra, mas agora eu consigo: se esse ano fosse uma palavra, seria DESAFIO.
E falando em desafio, eu vou tentar fazer uma retrospectiva desse ano gigante que passou como um segundo.
Logo no início, descobri o que a palavra ''equilibrio''. Mas para isso precisei descobrir antes outra palavra, "desequlibrio".
Comecei o ano letivo com o pé esquerdo, sozinha tentando tomar as rédeas da minha vida. Fui descobrindo aos poucos o quanto que eu era dependente, e tive que aprender outra palavrinha: independência.
Passei metade do ano em um impasse.
Descobri que o espirito às vezes reflete no nosso corpo, e tive que entender o significado de uma nova expressão: fundo emocional.
Fui aos trancos e barrancos, e sobrevivi a um semestre. Mas nada disso teria sido possível sem uma coisa chamada academia, que acabou virando uma espécie de consultório de terapeuta.
Nas férias de julho me entreguei. Mas foi tudo pra me mostrar que ainda faltava um pouco para amadurecer dentro de mim. E eu entendi bem o recado.
Veio uma bomba que passou em pouco mais de um mês. E meu anjinho mostrou que é mais forte que uma família inteira junta.
Falando em família, a minha se partiu nesse ano. Muita coisa foi dita, coisas que deixam marcas. Coisas que ultrapassam os limites do esquecimento. Coisas que não podem mais ser consertadas. Ainda não acabou, mas a parte triste dessa história passou e agora começou um novo capítulo chamado "Recomeço".
No colégio, sobrevivi. Foi um ano pra pensar, pensar e pensar. Descobri que o próximo, vai ser bem diferente. E é assim que eu quero que ele seja.
Na raspinha desse ano descobri uma nova possibilidade, mas aprendi a não depositar grandes esperanças. Isso também é uma nova palavra, chamada despretensão.
Ao longo do ano conheci minha mãe. Aprendi que pode existir amizade entre mãe e filha. Nada comparado a Lorelai e Rory Gilmore, mas quem sabe um dia possamos chegar lá? Aprendi também, que nenhuma avalanche me tira do lado dela, ainda que eu tenha muito a perder com isso.
Como eu disse, 2009 foi uma ano de desafios. Foi uma ano que deixou um gostinho amargo na boca, mas nada que um ano belo como 2010 não resolva.
Que venha, 2010.

domingo, 4 de outubro de 2009

O muro

Hoje, depois de um almoço agradável, eu pensei e descobri que a vida é uma loucura. Descobri que Deus ouve agente, nos momentos que menos esperamos. Há um ano atrás, esse almoço era inimaginável. Pai e filho juntos, dividindo uma mesa sem a presença de toda a família para apaziguar a situação, conversando como pai e filho, trocando idéias e ouvindo a opinião um do outro. Toda a família desejava que isso um dia viesse a acontecer. Mas todo mundo via também, o fim da vida do meu avô com o meu tio carregando um remorso imenso e pesado pelo resto da vida dele. Foi preciso que a situação se materializasse. O muro que os afastava, foi materializado e precisou cair, de verdade, pra conseguir reuni-los de novo. E ainda bem que caiu.

sábado, 26 de setembro de 2009

I gotta a feeling

É isso aí. A vida tá mudando, aos poucos (o que é bom). Nem sei se é a vida mesmo que tá mudando, acho que são meus olhos mudando mais um pouquinho, se adaptando pra tentar ver a vida mais bonita e leve. E sabe o que também é bom? Tá funcionando bem!! É uma música nova no rádio que me leva a outras várias, e uma vontade nova de estudar e me dar bem, e é uma vontade louca de comer chocolate que me faz sair e começar a enxergar que muita coisa vai mudar, e não vai ser de tudo ruim. É uma vontade de falar, que quase sai e acaba saindo um pouquinho, e é um jeito novo de saber me expressas, são caretas novas, e expressão facial em alta, e é um sorriso novo e bobo e sem motivo na cara, e é a vontade repentina de ir lá rapinho, só pra dar um ''alô'', e é o riso que sai sem ter vergonha mais, e é a cãimbra que me fez desmaiar, e é o vestidinho curto que eu resolvi arriscar. E é a liberdade e a vontade de ouvir aquelas musicas que todo mundo ouve, e que nem são boas de verdade, mais são boas de escutar, e é o seriado que eu fiquei viciada e que me faz entender um pouco mais a minha juventude e a necessidade de mudar e de viver. E é a vida que me chama, e sou eu que vou andando na direção dela, devagar pra não deixar nada cair pelo caminho, nem deixar nada me escapar dos olhos, da cabeça, do coração. E sou eu. E é a vida. E é vontade. Vontade de viver.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nós que aqui estamos, por vós esperamos.

É isso aí. A morte é uma coisa tão real e surreal, mesmo que isso pareça um paradoxo. Agente sabe que vai morrer, mas agente nunca espera isso. Agente sabe também que os outros vão morrer, mas também não esperamos por isso. Numa semana meio turbulenta, eu percebi a fragilidade da vida. 24 anos podem ser suficientes, para uma vida acabar. Bonito, inteligente, saudável. Tinha a vida inteira pela frente, e estudava para ela. Queria um futuro, e o que ganhou foi apenas o presente, e nós ficamos com o passado. Eu nem conhecia ele, mas me abalou muito.
Por isso, que agente tem que aproveitar o máximo dessa vida, porquê ela sempre arruma um jeito de dar uns sustos, e é sempre imprevisível.