sábado, 23 de novembro de 2013

das escolhas que fiz e tudo que vem junto

ontem eu tomei posse como vice-presidente do centro acadêmico da faculdade.
pois é.
há um ano atrás eu não sabia direito o por que de estar ali, naquela gestão que fiz parte ao longo do último ano. há um ano atrás eu era diferente, por demais. estava largando o emprego (que também me fez crescer, muito), começando a ter tantos e tantos amigos, conhecendo o amor de amizade e me perdendo nos desamores. eu não era menos nem mais. eu era outra, talvez.
e ao longo desse ano eu amadureci. muito. nem sempre foi bom, nem sempre melhor. perder a inocência para as coisas pode ser um golpe fatal para a felicidade. ganhar maldade e aprender a fazer política, nem sempre é algo feliz. por um tempo isso tomou conta da minha vida de uma maneira assombrosa, e quando percebi tomei um susto. já não existia uma vida minha. eu pensava demais, falava demais, ouvia demais mas não sentia. nada.
do susto eu me refiz rapidamente, mas sem perder o aprendizado dos últimos longos meses. e decidi que a responsabilidade era grande e que eu tinha que continuar.
e continuei...
e cheguei aqui. ontem, mais precisamente. diante de um auditório lotado, com professores, diretores, colegas, amigos, grandes amigos... e ali eu tive a coragem de dizer algumas palavras de agradecimento a todas aquelas pessoas que fizeram parte dessa jornada junto comigo. tremendo, confesso. coração a mil. segurando as lágrimas. mas foi bonito.

"Primeiramente boa tarde a todas e todos. Eu não tinha a intenção de falar hoje, mas acho que alguns agradecimentos são imprescindíveis e eu vou ser bem breve.
Bom, eu caí no CAAP mais ou menos de paraquedas, sem saber ao certo o como nem o por que. Um grande amigo um dia me disse para não fugir do meu destino caapiano, quando eu nem imaginava que um dia estaria aqui. Por isso que eu devo primeiramente agradecer a todos os envolvidos que felizmente (?) me colocaram aqui.
A gestão Viramundo foi, sem sombra de dúvidas, uma das mais polêmicas da história, a gente não pode negar. Apanhamos do início até o final da gestão, e eu acho que devo agradecer a todos aqueles que nos bateram: muito obrigada. O aprendizado nem sempre é fácil, mas é valioso, acima de tudo. Agradeço também aos viramundos e viramundanas. Juntos nós aprendemos a arte da convivência, as dificuldades das relações humanas, e o prazer de fazer as coisas acontecerem. Agradeço em especial aos companheiros de diretoria de extensão, pelo aprendizado ao longo do ano e pelo prazer de descobrirmos, juntos, o quão distantes estão sociedade e universidade, e o quão desafiador é o trabalho de tentar aproximá-las.
À Viramundo agradeço enfim, por me mostrar que antes de ser um sonho, estar dentro do CAAP é uma grande responsabilidade. E essa responsabilidade vai para além do fato de estarmos representando os diversos alunos da casa, mas porque aqui pessoas se formam. Eu me formei aqui, eu estou me formando aqui. Outros já se formaram, e outros tantos ainda se formarão.  E eu e responsabilidade para aqueles que estão aqui.
E se eu, integrante da gestão Viramundo, pudesse dar um conselho a nós, integrantes da gestão Sagarana, seria nas palavras do mestre Guimarães Rosa:
“Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas.”
À Sagarana eu agradeço pelos sonhos que compartilhamos. Agradeço pela oportunidade de construir o CAAP, e de transforma-lo para além da responsabilidade, em um sonho.
Agradeço também a minha família pela compreensão, nem sempre satisfeita, em relação à falta de tempo, aos sábados domingos e feriados em reunião, às madrugadas em claro e aos sumiços constantes.
Agradeço por fim, aos amigos. Pelos ouvidos nos momentos de necessidade, pela paciência, pelos conselhos, pelas risadas, pelas alegrias, pelos pequenos grandes momentos e, sobretudo, pela capacidade de colocar o CAAP no seu devido lugar na minha vida.
E se eu, Marina, pudesse dizer algo a nós, Viramundos, seria também nas palavras de Guimarães Rosa:
“No real da vida, as coisas acabam com menos formato, nem acabam. Melhor assim. Pelejar por exato, dá erro contra a gente. Não se queira. Viver é muito perigoso...”"

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

o limbo - parte 2

daí passa um mês e você começa a perceber que existe uma coisa a mais.
que existe um querer constante. querer estar perto, querer continuar perto.
outros quereres a gente deixa pra lá porque o horário não permite. mas existem eles também.
e começa a ficar insustentável pra dentro esconder o tudo pra fora.
pelo menos pra mim.

domingo, 17 de novembro de 2013

o limbo

quando se está envolvida com alguém existe uma fase entre o não sentir e o amar ou não amar que é intrigante. uma espécie de limbo existencial-amoroso que toma conta de quem está envolvido ou se envolvendo, quando não se sabe bem ao certo se sente algo, se o que sente é diferente do que já se sentia, se cresce ou se é simplesmente uma criação de cabeças criadas em meio aos contos de fadas do mundo capitalista. fato é: o limbo existe. 
vivo hoje esse limbo. entre o não sentir nada - o sentir amizade apenas -, e o sentir amor. abro hoje aqui meu coração, ou o que resta dele. ou ainda, o que se imagina que existe nele para os mais céticos. passados 21 anos da minha vida (exatos 21 anos e um dia), me envolvi com alguém que me trouxe um algo a mais. um querer mais, talvez. há quase um mês nos envolvemos pela primeira vez e há quase um mês que nos envolvemos, dia mais dia. não sei se mais a cada dia, mas a cada dia nos envolvemos. e me perco em investigações acerca do teor do limbo existencial de hoje. 
o primeiro grande acontecimento foi o primeiro dia. o dia em que, tomados pelo álcool e pela noite, nos jogamos em um táxi, depois em um carro, e daí em diante em um algo a mais, mais que só a amizade. vieram outros acontecimentos nos dias seguintes: as mensagens do pós de falta de graça, os primeiros olhares ruborizados, a primeira conversa pra tentar quebrar o clima (que, diga-se de passagem, foi um tanto quanto mal sucedida no seu objetivo primeiro). e mais algumas cervejas, uma série de confissões, compartilhando passagens de vidas e segredos, entre mãos dadas e beijos, a "envolvência" se manteve. veio a segunda noite, muito mais sóbria e exata. e os finais de semana, e as mensagens, e os problemas compartilhados, e as risadas mil. 
e o limbo que aumenta dia após dia, que instiga todos os meus sentidos em busca de uma percepção mais madura acerca dos fatos e dos sentimentos. e que ao mesmo tempo me faz querer não entender muita coisa para além da existência do limbo. mas que também me faz, em momentos não muito raros, querer prever futuro e colocar ordem na casa.
e na última noite o sentir lado a lado, sentir o respirar e o suspirar, e o não dormir, e o dormir pesando a cabeça encostada na minha cabeça, e eu só consigo me perguntar: o que está acontecendo? e será que eu realmente quero saber o que está acontecendo?

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

plano de fuga pra cima dos outros

na última noite de boêmia ele falou uma coisa que deixou a moça intrigada. falou que o outro é sempre uma fuga de nós mesmos. a moça parou por alguns longos instantes e refletiu sobre aquilo tudo. pensou que talvez seria verdade. talvez não, com certeza. ele então lhe pediu que não deixasse aquilo acontecer de novo. que não deixasse que ele a contaminasse com toda aquela filosofia obscura que lhe rondava. que aquilo era um buraco sem fim, areia movediça. e terminou dizendo que o outro não era apenas uma fuga, era também um encontro consigo mesmo.
e ela pensou mais a respeito. refletiu observando aqueles olhos obscuros que a fitavam, quase um buraco negro. ela tinha medo de olhar demais. não no sentido piegas de cair pra dentro do buraco negro e nunca mais voltar. tinha medo de cair no buraco negro e não enxergar o que acontecia ao seu redor. tinha medo de se afogar ali dentro e não entender o que se passaria a sua volta. voltar ela voltaria. mas os instantes que poderia vir a passar lá dentro eram um grande enigma.
voltou-se para o caderninho recém adquirido e anotou aquelas frases pra se fazer pensar mais a respeito depois.
e pensa agora ela sozinha no quarto. o outro é sempre uma fuga de nós mesmos, e um encontro com nós mesmos. e se lembrou do Sabino, que fazia do medo uma escada e da procura um encontro. talvez devêssemos todos fazer da fuga um encontro, na realidade.
e confusa pontuou o finalmente do texto, fechou o caderno e apagou as luzes. mergulhou no breu da madrugada e se perdeu naquele buraco negro que ela já conhecia há tempos.