sábado, 31 de dezembro de 2016

só sei que agora eu dei uma animadinha

Eu sempre tive uma mania estranha de eleger músicas para cada ano que começava. Há alguns anos eu não fazia isso, mas quando ouvi Animadinha, eu soube: essa música merece um ano. E guardei ela pra 2016.

Guardei Animadinha pra 2016, como quem guarda o último pedaço de bolo pro final de um domingo preguiçoso. Guardei Animadinha como quem guarda a borda da pizza pra comer por último. Guardei Animadinha pra 2016, igual guardei aquele sabonete de sal grosso da Bahia, pro dia que eu finalmente consegui chegar ao fim.

2016 foi tudo o que tinha que ser na minha vida. Meu sentimento é de que tudo que tinha que acontecer, aconteceu. 

Em 2016 eu perdi dentes, prazos, pudores, títulos. Tateei no escuro. Me estilhacei. Me estranhei, me desconheci, me conheci, e chego nesse final de ano me reconhecendo.

O saldo não podia ser mais positivo. 

Que 2017 nos seja generoso

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

top 5 de filmes do ano

Os melhores filmes de 2016 foram:

1- As cinco graças
2- Meu Rei
3- O quarto de Jack
4- Aquarius
5- Agnus Dei

(coincidência ou não, todos os 5 filmes têm como enredo principal histórias de mulheres fortes)

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

hoje,

uma mulher morreu.
postou um desabafo, no qual contava toda sorte de abusos emocionais que tinha sofrido por conta de um ex-chefe e ex-professor. e ela provavelmente se matou. se despedia no texto, falava que queria justiça. mas que pra ela já tinha dado.
quando leio esse tipo de coisa, tão palpável, tão cruel, lembro de tantas e tantas mulheres da minha vida.
lembro da minha bisavó, que conviveu com um casamento de aparências e se contentou com o silêncio de uma vida dupla do meu bisavô. lembro da minha mãe, sempre a louca da relação, que já quis deixar de viver por conta dos abusos psicológicos e das migalhas que lhe eram dispensadas por um homem que passou pela vida dela. lembro da minha namorada, que definhou por um homem que não era capaz de oferecer a ela nada além da humilhação constante. lembro de mim, que também já estive na frente do computador aos prantos, procurando por ajuda e me sentindo completamente paralisada. lembro da minha amiga, que até hoje tenta se colocar de pé pra superar um cara que queria fazer dela um fantasma na vida dele. e tantas, e tantas, e tantas outras.
eu já falei mil vezes, eu não me canso de falar. não existe relacionamento não abusivo entre homem e mulher. e não, eu não estou falando que os abusos são exclusivos da heterossexualidade, nem que são exclusivos dos homens-agressores. não. não é isso.
o que eu quero dizer, é que os relacionamentos abusivos são a regra em relacionamentos heterossexuais. e isso não exclui nada. é só uma, das várias constatações que podemos fazer.
e são a regra, porque existe um jogo de poder instituído por um mundo machista, que coloca sempre nós, mulheres, abaixo. nós, mulheres, como as loucas. nós, mulheres, como os objetos do controle masculino. as bonequinhas da auto-afirmação máscula.
mas nós somos mais. nós sobrevivemos. nós nos encontramos, nos redescobrimos. e quando nós nos apoiamos, somos ainda maiores.

domingo, 23 de outubro de 2016

eu sou um touro e uma cabra

meu amor por você, no início, foi de entrega absoluta. eu lembro de me preocupar com o retorno durante muito tempo. lembro de sofrer imensamente pelas ausências, pela gaveta que você criou pra mim na sua vida. lembro da analista me falando isso: você é uma gaveta. pode até ser grande, mas é uma gaveta. o que mais me machuca, hoje, é pensar que eu não mereci, não era incapacidade sua. porque você tá sendo capaz, em tão pouco tempo. eu não merecia, e você é quem achava isso. não sou eu quem acho. minha pergunta é aquela: "por que?". eu acho que é falta de amor que faz isso. porque amor e controle são coisas diferentes, e hoje eu enxergo muito mais controle do que amor. muito mais fraqueza do que amor. meu sentimento é que a sua dependência emocional me esvaziou por inteira. você sugou de mim toda minha luz. e nem se fez iluminado, isso é o pior. quando eu finalmente me libertei, e segui em frente, você foi capaz de fazer o mesmo. por que não fez isso antes? minhas únicas questões são essas: por que não me deixou ir antes? eu fiquei, por muito tempo, só por você. eu já estava seca, vazia, e você sabia disso. eu negava por cuidado, mas nunca fui boa em esconder as coisas de dentro. tudo o que você me negou, e hoje entrega (porque é capaz, sempre foi) destruiu meu sentimento. quase me destruiu também, mas eu sou forte. "pra me derrubar só traulitada meu amor, eu sou um touro". eu não queria que tivesse sido diferente, no geral. eu não queria que você tivesse me dado a entrega. eu só queria que você tivesse me deixado ir antes. eu só queria recuperar meu tempo perdido. mas o que ficou de aprendizado também, isso é invencível. o amor acabou há tempos, antes mesmo da gente acabar. o que restou, hoje, foi só mágoa mesmo. e eu sempre fui muito propensa a guardar mágoas, deve ter um signo no meu mapa explicando. elas se demoram dentro de mim, mas um dia passam. e passam inteiras, isso é bom. passam como que digeridas. fica só aprendizado, que é o que tem de bom pra ficar. eu tenho estado assim, esperando isso passar. enquanto isso, a vida segue em frente, e você é só uma pedrinha, bem pequena, que só me incomoda quando eu lembro que existe. todo o resto, é bem maior.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

tocando em frente, ou: de um, dois, três anos depois, a felicidade que bate de novo na porta

ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais
hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
só levo a certeza de que muito pouco sei, ou nada sei.

há um ano atrás, eu estava em estado de casulo. eu sempre fui dessas que sabe que vai passar, e que sabe esperar. eu esperei, e eu sabia que ia ser bom. eu guardei o sabonete de sal grosso da Bahia pro dia que o casulo começasse a abrir. eu nunca achei que ia ser fácil, rápido, ou indolor. mas eu sempre soube que um dia, em breve, ia voltar a ser bom, ia voltar a ser leve.

é preciso amor pra poder pulsar
é preciso paz pra poder sorrir
é preciso chuva para florir

a vida não é fácil, amigos. não é, e eu sei disso também. mas ela pode ser feliz, se a gente dá mais atenção e valoriza o que nos faz bem. e coloca isso como prioridade na vida: ser feliz. eu deixei por muito tempo isso de lado, e eu não me arrependo porque era o que eu podia e conseguia fazer naquele momento. e era necessário. é preciso chuva para florir. mas hoje tá tudo florescido já. cheio de flores. e olha só, tudo isso veio em plena primavera, a vida as vezes é ridiculamente clichê, maravilhosamente clichê. que lindo.

cada um de nós compõe a sua história
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz
de ser feliz

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

pontinho

ando tão cheia de quietudes.

outro dia, na terapia, ouvi que eu estava muito em paz. em paz até demais, ela disse, se referindo a duas coisas da minha vida que estão em paz e que não deveriam estar. é verdade, eu concordei.

semana passada, por muito pouco, não perdi um prazo que me faria adiar a formatura em 6 meses, e minha quietude era tanta que eu já estava até me acostumando com a ideia, elencando os lados bons de formar mais tarde.

minha monografia deveria (mesmo) já estar pronta, mas não. e eu fico achando que tem tudo uma razão de ser, pra não ser agora.

as vezes me bate um desesperozinho quando penso em algumas coisas. aquela velha sensação do pontinho de areia no oceano. uma adrenalina que descarrega assim, faz gelar o peito por dois segundinhos, rapidinho mesmo. mas eu penso: não, aqui não. aqui é minha redoma. aqui eu tô segura. meus pézinhos tão no chão e tá tudo bem.

e continuo, seguindo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

mas eu vim de lá, pequenininho

cada dia que eu passo a mais do lado dela, é um dia a mais, e só.
não é expectativa, não é frustração.
é mais um dia, bom, calmo, ruim, masomenos, mas sempre do lado dela é bom. mesmo que do lado virtual.
não tem stress, não tem preocupação, não tem nada de ruim.
mas mesmo assim eu ainda me demoro na entrega, me vejo vez ou outra sentindo medo.
mas, quer saber? meu medo faz parte, não adianta lutar contra. adianta só reconhecer ele, reconhecer que existe e que eu não posso fazer nada. e adianta ser corajosa, também. adianta ver que o medo existe, mas que também existe a coragem. como é mesmo, que o Rosa diz? se teme por amor, mas por amor também que a coragem se faz. pois então.
decidi, pra minha vida, viver assim: pisando nesse chão devagarinho. mas pisar, e seguir andando.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

tobogã

“O não sei é um campo ativo”.


com essa constatação que tenho vontade de tatuar na testa (minha e do mundo), vou contar o que tá enfeitando minha vidinha há mais de um mês.

uma moça que chegou meio que de lado, me fazendo tirar a viseira da heteronormatividade pra ver quê que era aquilo ali, brilhando, piscando, chamando minha atenção. que pessoa legal. que moça legal. que moça bonita. que. que. que. 
de repente eu vi, uai? e não é que aquela certezinha que sempre morou aqui dentro de mim floresceu. e floresceu sem dor, natural, foi escorregando tipo criança no tobogã quando ele tá com a água boa e leva até lá embaixo sem agarrar a bunda. 
caí na piscina e nem foi um susto. foi tipo, já estive aqui, talvez minha vida toda.

e a moça me chamou atenção, me fez cair na piscina, mas nem tava ainda lá comigo. só na borda, e eu ali dentro, boiei, esperei a vida encaminhar.
e vida, sabe como é né? encaminha.
e há um mês e pouco essa moça tá aqui na piscina comigo já, a gente boiando, de mãos dadas. boiando, a vida levando, passando, e tudo em paz.

nunca senti isso: paz, com alguém. paz mesmo, pra além das inquietudes internas, que são minhas e não têm jeito, tudo de fora é paz.

paz.

domingo, 31 de julho de 2016

que o sol vem trazer bom dia

ter controle da vida, mesmo quando se perde o controle na noite, é uma sensação estranha e talvez libertadora.
saber que, mesmo depois de ter borrado o batom, estragado o sapato, deixado o resto do dinheiro do mês pra pagar a conta, mesmo assim, tá tudo sob controle.
a conta corrente a gente vê amanhã como ficou.
o batom borrado vai render boas risadas.
o sapato ficou com um ar mais roots.
e você tinha que viver tudo aquilo.
passou.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

dia a dia

cada dia da minha vida tem sido especial.
cada dia tem tido um motivo pra que eu me lembre dele.
cada dia é único, seja por causa dos ipês na praça, do piquenique, do maracatu embaixo do viaduto. cada dia é um, cada dia tem felicidade. pelo menos um pouco, sim.

e é disso que eu sentia tanta e tanta falta.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

carangueijo feminino

liberdade.
taí uma coisa que eu perdi no últimos anos, dentre tantas outras.
mas eu não quero falar sobre o que é perder a liberdade, nem sobre como ou por que eu perdi. quero falar sobre o que é importante, sobre como reconquistei ela. sobre como ela é importante, e sobre como ninguém nunca mais vai me fazer abandonar minha liberdade. e eu não acho que liberdade diz tanto sobre fazer, mas muito mais sobre ser, sobre pensar. lógico que uma coisa acompanha a outra, que quando eu sou, eu faço. mas muito mais do que fazer, é importante a liberdade pra ser. hoje, o que mais me encanta na minha eu mesma, é o tanto que eu tenho tido certeza sobre o que sou e o que quero e penso. é mais que certeza, porque nem é certeza na verdade. acho que a palavra é segurança. é ter segurança pra ser o que eu sinto, e só. não preocupar com o que eu posso vir a ser, ou com o que eu deveria estar sendo, ou com o que querem que eu seja ou podem pensar que eu sou. eu só sou. eu sinto, eu sou, e se sinto e sou, sou inteira. sou segura de ser. e isso é liberdade.
isso é ser livre.
não tem nada me prendendo. o mundo é gigante, eu sou um milipedaço dele, mas eu sou livre e eu sou.
ser-se a si mesma.
livre.
livre.
livre.

terça-feira, 12 de julho de 2016

segunda-feira, ‎9‎ de ‎maio‎ de ‎2016, ‏‎01:40:50

Cada dia acho mais difícil acreditar em relacionamento não abusivo entre homem e mulher. Não precisa do cara ser um babaca escroto. Não. Ele só precisa ter sido criado em contato com a sociedade, basta. É aquele cara que acha absurdo o seu ciúme, mas o dele tá certíssimo. Que acha você uma exagerada, mas quando algum amigo te elogia perto dele, acabou a noite. Aquele cara que pode brincar (debochar?) com o seu ciúme, mas se você brinca com o dele de volta, morte. E se você sente ciúme de uma mina que tá sempre dando “mole virtual”, você é a surtada. Mas ele se sente no mais absoluto direito de achar ruim por você ainda ter como amigo no feice aquele cara que você ficou meses antes de começarem a namorar. Mesmo que o cara nem fale com você. Mesmo que o cara nem curta o que você posta. Mesmo que você nem siga mais o cara. Mas a mina das curtidas dele, viagem. Você tá errada. Abusivo soft é aquele relacionamento em que o seu passado “amoroso” é motivo de vergonha pra você, e o dele é ilibado. E isso, sempre que vem a tona, traz uma série de discussões, e você tem que rastejar em busca do perdão pelo seu passado (isso mesmo, aquele passado quando ele ainda nem existia na sua vida). Abusivo soft é o cara que te engaveta na vida dele, reserva um espaço extremamente delimitado pra você, e faz você acreditar que tá errada em achar ruim. Que tá errada de ficar triste porque não conhece os amigos dele. Que tá errada porque ele não te leva pra sair NUNCA com os amigos dele. Que ta errada porque ele NUNCA te leva na casa dele. É aquele cara que te faz acreditar com todas as letras que você errou no seu passado e que deve a ele algum pedido de desculpa. A ele. Que te faz acreditar que você está errada por achar aquela mina folgada, e te dá todos os dias motivos pra se incomodar com isso, mesmo tendo que acreditar que é você a errada. E aí você acaba odiando a mina, quando a responsabilidade por tudo isso é de ninguém mais que ele. Abusivo soft é o cara que sempre acha algum motivo pra reclamar quando você sai sem ele, e disfarça o incomodo pela sua saída em outras coisas, como a mensagem que você demorou a responder, ou a atenção que você não deu direito. É o cara que consegue sempre falar que você tá mais bonita quando vai sair com os outros do que quando vai sair com ele. E isso passa batido, porque você simplesmente não quer brigar. Você tá cansada de brigar, e começa a fazer tudo do jeito dele, pra evitar desentendimento. Mas quando você que tem motivo pra brigar, porque ele fez alguma coisa errada, você é a louca. É a que sempre acha motivo pra achar ruim. É a que só vê as coisas pelo lado negativo.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

equalizando

sei que andei sumida por aqui. andei sumida de mim mesma, racionalizando demais sentimentos e vivendo demenos felicidades. sei que andei dessintonizada do meu peito, mas já tô me equalizando de novo. já sinto, hoje, aquela felicidade plena de existir e só. já sinto, hoje, aquela satisfação em simplesmente andar na rua, olhar pro céu azul, tomar uma garrafa inteira de vinho e amanhecer na feira hippie. já consigo sentir de novo tudo que há tempos eu não sentia. senti outras coisas, coisas boas, outras ruins, mas necessárias. senti muito, mas não me permiti sentir até o fundo.
agora não mais.
agora me permito, mais madura e segura, sentir coisas até a última gota. dançar até o chão sem estar completamente bêbada. cantar na rua, fazer bagunça, pular no parque.
duas coisas hoje me deixam feliz: eu saber exatamente quem sou, e tentar estar sempre exatamente onde eu quero.
completa.
por inteiro.

terça-feira, 12 de abril de 2016

sushi pt. 2

um buraco.
um buraco do tamanho que nem sei.
um buraco de uma vida inteira, mesmo que nem inteira seja ainda.
uma escuridão de primeiros segundos quando se apaga a luz pra dormir, sem conseguir ainda distinguir os contornos.
e sozinha.
desacostumadamente sozinha.

a multa da biblioteca fica mais cara.
a comida fica mais seca.
a insônia é mais forte.
a sede aperta mais.
o joelho é só mais uma dor.
a dor no peito, essa sim, enorme.
mas é sua. só sua. só você pode curar isso, sozinha.
medo.
medo.
medo.
escuridão.

terça-feira, 8 de março de 2016

aceitação.

todo esse, é um processo de aceitação.
aceitar que não foi possível. aceitar que não foi o bastante. aceitar que não foi do jeito que queria ser. aceitar estar sozinha novamente. aceitar não ter notícias. aceitar não ter mensagem. aceitar fim de semana em casa, sexta feira solitária e não ter por quem esperar pra ver, a cada dia. aceitar que a vida não vai melhorar, mas que vai ser mais leve, apesar de mais triste.
toda perda implica em dor. e o processo pra curar dor, é esse: aceitação.