Esse ano não foi impossível, mas passou longe de ser um ano fácil, tranquilo ou feliz. Olhando de longe, pareceu uma avalanche atrás da outra, e eu tentando sobreviver a todas elas. Mas a notícia boa é que eu consegui sobreviver a tudo. É como se depois de correr, correr e correr de várias bolas de neve gigantes, eu tivesse encontrado um muro altíssimo pra me esconder. E fiquei ali vendo tudo passar, até que de repente aquele silêncio ensurdecedor tomou conta do lugar. E esse momento é o agora, quando eu começo a perceber que no final, tudo deu certo mesmo. E começo então a pensar nas possibilidades pra continuar andando, sem precisar fugir de mais avalanches.
Outro dia me perguntaram como eu resumiria esse ano em uma palavra. Na hora eu não consegui pensar em uma só palavra, mas agora eu consigo: se esse ano fosse uma palavra, seria DESAFIO.
E falando em desafio, eu vou tentar fazer uma retrospectiva desse ano gigante que passou como um segundo.
Logo no início, descobri o que a palavra ''equilibrio''. Mas para isso precisei descobrir antes outra palavra, "desequlibrio".
Comecei o ano letivo com o pé esquerdo, sozinha tentando tomar as rédeas da minha vida. Fui descobrindo aos poucos o quanto que eu era dependente, e tive que aprender outra palavrinha: independência.
Passei metade do ano em um impasse.
Descobri que o espirito às vezes reflete no nosso corpo, e tive que entender o significado de uma nova expressão: fundo emocional.
Fui aos trancos e barrancos, e sobrevivi a um semestre. Mas nada disso teria sido possível sem uma coisa chamada academia, que acabou virando uma espécie de consultório de terapeuta.
Nas férias de julho me entreguei. Mas foi tudo pra me mostrar que ainda faltava um pouco para amadurecer dentro de mim. E eu entendi bem o recado.
Veio uma bomba que passou em pouco mais de um mês. E meu anjinho mostrou que é mais forte que uma família inteira junta.
Falando em família, a minha se partiu nesse ano. Muita coisa foi dita, coisas que deixam marcas. Coisas que ultrapassam os limites do esquecimento. Coisas que não podem mais ser consertadas. Ainda não acabou, mas a parte triste dessa história passou e agora começou um novo capítulo chamado "Recomeço".
No colégio, sobrevivi. Foi um ano pra pensar, pensar e pensar. Descobri que o próximo, vai ser bem diferente. E é assim que eu quero que ele seja.
Na raspinha desse ano descobri uma nova possibilidade, mas aprendi a não depositar grandes esperanças. Isso também é uma nova palavra, chamada despretensão.
Ao longo do ano conheci minha mãe. Aprendi que pode existir amizade entre mãe e filha. Nada comparado a Lorelai e Rory Gilmore, mas quem sabe um dia possamos chegar lá? Aprendi também, que nenhuma avalanche me tira do lado dela, ainda que eu tenha muito a perder com isso.
Como eu disse, 2009 foi uma ano de desafios. Foi uma ano que deixou um gostinho amargo na boca, mas nada que um ano belo como 2010 não resolva.
Que venha, 2010.
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