os dois pés no chão e na cabeça a ideia que nada deve parecer impossível de mudar.
bom, é tipo isso.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
sexta-feira, 19 de julho de 2013
sobre o Bordello, sobre a Amanda Palmer e sobre a vida de uma mulher.
Eu nunca fui do tipo de mulher que levanta demais as bandeiras feministas. Sempre fui um pouco indiferente tanto às atitudes feministas quanto às atitudes machistas (essas eu faço questão de ignorar). Tenho o costume de atribuir ao sexo feminino as barbeiragens no trânsito (sim, eu sei que é um equívoco, em breve supero essa mania), mas para além disso não sou machista e odeio quando meu pai fala que eu tenho que ajudar a fazer compras porque sou "a mulher da casa". Mulher da casa é o caralho. Isso sempre me incomodou.
O fato é: para além da minha própria existência feminina, eu nunca tinha parado pra pensar no quanto o mundo é realmente machista até entrar na faculdade e começar a ter contato com o tema. A minha primeira Marcha das Vadias foi no último mês de maio, e acabei me envolvendo ainda mais com o tema durante a preparação do evento na Faculdade. Resolvemos tirar fotos de alunxs com mensagens sobre a luta feminista e o direito de ser "vadia". No dia do ensaio eu, sem ideias, comecei a pedir inspiração para minhas colegas que já se rabiscavam com batom. Foi quando uma delas me perguntou: o que TE incomoda? E eu parei. E pensei. E pensei...
Acabei por escrever sobre tatuagem, já que escutei várias vezes que mulher tatuada é vadia e outras ignorâncias do gênero.
Mas aquilo não era o que ME incomodava, na verdade.
Demorei algumas horas (e acabei perdendo a oportunidade de tirar uma foto mais legal e verídica) para chegar a uma das conclusões sobre o que me incomodava. A primeira veio quando pensei: "se não ser princesa é ser vadia, sou vadia". Explicando: eu cresci sendo chamada de "princesa" (sou a única filha, única neta, única sobrinha de uma parte da família), vivi em meio a "princesas", estudei em escolas de "princesas" (aquelas meninas moças com cabelo milimetricamente arrumado, dentes perfeitos, tênis sempre impecável e mochilas rosas), mas nunca consegui me encontrar no meio das "princesas". Me sentia um peixe fora d'água, não sei se pelo fato de não ter dinheiro para ter sempre a mochila da moda, ou se pelo fato de não ter tido uma mãe que penteava meu cabelo todos os dias antes de ir pra aula (calma mãe, você não tem culpa nisso tudo). Bom, o fato é: eu não me encontrava.
E só fui me encontrar quando entrei pra Faculdade e me descobri uma "tilelê wanna be", já diria meu caro colendo RC, com liberdade pra usar meus vestidões e chinelos e não ter que preocupar em fazer as unhas. Pois é. Se não ser princesinha é ser vadia, somos todas vadias. Ou quase todas. Enfim.
Outro incômodo que veio a se formar na minha cabeça há algum tempo é mais elaborado e menos pessoal: o fato de haver essa diferenciação entre homens e mulheres quanto à sexualidade e à liberdade sexual. Pois é, eu fico pensando: para além daquelas questões básicas de "homem que pega muita mulher é garanhão, mulher que pega muito homem é puta", tem outras coisas... Vamos aos fatos: sábado passado eu estava morrendo de calor em um show no Bordello, um pouco alcoolizada devo confessar, e com duas blusas de frio. Resolvi tirar a blusa de frio que estava por baixo - tipo uma segunda pele, já que a blusa de cima era toda furadinha - e o fiz ali mesmo, no meio de todo mundo. OK, eu estava um tanto quanto bêbada. Mas, quer saber? Morro de vontade de fazer isso no meio da rua, mesmo quando estou completamente sóbria. A diferença é que, além do adicional de coragem alcoólico, eu estava no meio de várias pessoas que - pelo menos a maioria delas - pensam como eu, e têm a cabeça mais aberta.
Daí que hoje vi uma reportagem falando sobre a cantora Amanda Palmer que foi agraciada por uma reportagem num tablóide britânico falando do peito dela que "escapou" durante uma apresentação no Festival de Glastonbury. Daí ela, muito bem humorada e fodona, escreveu uma música para o tal jornal e cantou a mesma peladona no palco, no melhor nível: querem motivos pra falar de mim, então toma!!!
Eis o link da reportagem: http://contraversao.com/apos-ter-foto-do-seio-publicada-por-tabloide-amanda-palmer-tira-sarro-do-episodio-em-show/
E uma das coisas que ela questiona na "homenagem" musical, é o fato de um peito nu masculino não chamar tanta atenção quanto o feminino. Gente, é só um tecido adiposo mais desenvolvido, nada demais!!
Enfim... escrevi tudo isso pra dizer que a Amanda Palmer me representa, que eu não me arrependo de ter tirado a blusa no Bordello, e que se nossa sociedade não fosse tão machista e tão pudica, eu faria isso com mais frequência em caso de necessidade. Ou de vontade. E sem o adicional alcoólico.
E aposto que tem muita gente que faria isso também.
PS: mãe, eu sei que você vai ficar horrorizada se ler isso, mas lembra: você que me ensinou a andar sem roupa pela casa sem preocupar com os vizinhos. E juro que você não tem culpa de nunca ter arrumado meu cabelo antes da aula, juro mesmo. Ainda bem que você nunca fez isso, na verdade. Se não, corria o risco deu ser uma dessas "princesas" sem personalidade própria que a gente tanto conhece e que eu tanto critico. ;)
O fato é: para além da minha própria existência feminina, eu nunca tinha parado pra pensar no quanto o mundo é realmente machista até entrar na faculdade e começar a ter contato com o tema. A minha primeira Marcha das Vadias foi no último mês de maio, e acabei me envolvendo ainda mais com o tema durante a preparação do evento na Faculdade. Resolvemos tirar fotos de alunxs com mensagens sobre a luta feminista e o direito de ser "vadia". No dia do ensaio eu, sem ideias, comecei a pedir inspiração para minhas colegas que já se rabiscavam com batom. Foi quando uma delas me perguntou: o que TE incomoda? E eu parei. E pensei. E pensei...
Acabei por escrever sobre tatuagem, já que escutei várias vezes que mulher tatuada é vadia e outras ignorâncias do gênero.
Mas aquilo não era o que ME incomodava, na verdade.
Demorei algumas horas (e acabei perdendo a oportunidade de tirar uma foto mais legal e verídica) para chegar a uma das conclusões sobre o que me incomodava. A primeira veio quando pensei: "se não ser princesa é ser vadia, sou vadia". Explicando: eu cresci sendo chamada de "princesa" (sou a única filha, única neta, única sobrinha de uma parte da família), vivi em meio a "princesas", estudei em escolas de "princesas" (aquelas meninas moças com cabelo milimetricamente arrumado, dentes perfeitos, tênis sempre impecável e mochilas rosas), mas nunca consegui me encontrar no meio das "princesas". Me sentia um peixe fora d'água, não sei se pelo fato de não ter dinheiro para ter sempre a mochila da moda, ou se pelo fato de não ter tido uma mãe que penteava meu cabelo todos os dias antes de ir pra aula (calma mãe, você não tem culpa nisso tudo). Bom, o fato é: eu não me encontrava.
E só fui me encontrar quando entrei pra Faculdade e me descobri uma "tilelê wanna be", já diria meu caro colendo RC, com liberdade pra usar meus vestidões e chinelos e não ter que preocupar em fazer as unhas. Pois é. Se não ser princesinha é ser vadia, somos todas vadias. Ou quase todas. Enfim.
Outro incômodo que veio a se formar na minha cabeça há algum tempo é mais elaborado e menos pessoal: o fato de haver essa diferenciação entre homens e mulheres quanto à sexualidade e à liberdade sexual. Pois é, eu fico pensando: para além daquelas questões básicas de "homem que pega muita mulher é garanhão, mulher que pega muito homem é puta", tem outras coisas... Vamos aos fatos: sábado passado eu estava morrendo de calor em um show no Bordello, um pouco alcoolizada devo confessar, e com duas blusas de frio. Resolvi tirar a blusa de frio que estava por baixo - tipo uma segunda pele, já que a blusa de cima era toda furadinha - e o fiz ali mesmo, no meio de todo mundo. OK, eu estava um tanto quanto bêbada. Mas, quer saber? Morro de vontade de fazer isso no meio da rua, mesmo quando estou completamente sóbria. A diferença é que, além do adicional de coragem alcoólico, eu estava no meio de várias pessoas que - pelo menos a maioria delas - pensam como eu, e têm a cabeça mais aberta.
Daí que hoje vi uma reportagem falando sobre a cantora Amanda Palmer que foi agraciada por uma reportagem num tablóide britânico falando do peito dela que "escapou" durante uma apresentação no Festival de Glastonbury. Daí ela, muito bem humorada e fodona, escreveu uma música para o tal jornal e cantou a mesma peladona no palco, no melhor nível: querem motivos pra falar de mim, então toma!!!
Eis o link da reportagem: http://contraversao.com/apos-ter-foto-do-seio-publicada-por-tabloide-amanda-palmer-tira-sarro-do-episodio-em-show/
E uma das coisas que ela questiona na "homenagem" musical, é o fato de um peito nu masculino não chamar tanta atenção quanto o feminino. Gente, é só um tecido adiposo mais desenvolvido, nada demais!!
Enfim... escrevi tudo isso pra dizer que a Amanda Palmer me representa, que eu não me arrependo de ter tirado a blusa no Bordello, e que se nossa sociedade não fosse tão machista e tão pudica, eu faria isso com mais frequência em caso de necessidade. Ou de vontade. E sem o adicional alcoólico.
E aposto que tem muita gente que faria isso também.
PS: mãe, eu sei que você vai ficar horrorizada se ler isso, mas lembra: você que me ensinou a andar sem roupa pela casa sem preocupar com os vizinhos. E juro que você não tem culpa de nunca ter arrumado meu cabelo antes da aula, juro mesmo. Ainda bem que você nunca fez isso, na verdade. Se não, corria o risco deu ser uma dessas "princesas" sem personalidade própria que a gente tanto conhece e que eu tanto critico. ;)
segunda-feira, 15 de julho de 2013
lou-cura
perdida no baixo bahia.
não houvesse tanta loucura não saberia o gosto da vida que vive e que nunca havia vivido. a loucura cura a vida, a loucura cura a alma. a loucura cura. cura.
não houvesse tanta loucura não saberia o gosto da vida que vive e que nunca havia vivido. a loucura cura a vida, a loucura cura a alma. a loucura cura. cura.
domingo, 7 de julho de 2013
5102
entre uma e outra curva do ônibus, ela constatou: cada um com suas dificuldades, a dela era o amor.
cada um com seus grandes sonhos: o dela era o amor.
cada um com seus grandes impossíveis: o dela era, esse mesmo. o amor.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
da ressaca que dura, do amor que é tanto
meu coração, minha cabeça.
a agenda a cada dia mais cheia. o tempo a cada dia mais curto. a responsabilidade batendo na porta. a irresponsabilidade atendendo. e o quarto bagunçado, e as noites em claro, e as manhãs na cama. e a falta de ânimo para as coisas que o exigem. e a falta de foco para tudo.
pára tudo?
por favor.
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