Dizem que é se perdendo que a gente se encontra.
Talvez seja isso mesmo. Mas se encontrar assim, pra sempre, isso não existe. A gente tá sempre em transformação. Tá sempre recebendo informação, desenvolvendo idéias, mudando o ponto de vista. A gente vive tipo um processo de enriquecimento, cada vez com mais valor agregado. Ou menos, depende né? Mas é bom que seja mais.
Eu ando escutando muito por aí que tô muito mudada. Que antes eu não era assim, não ouvia isso, não comia daquilo, não ia lá. Só que o tom é crítico, sabe? Quase um deboche. Eu acho triste, só isso. Nada do que venham me dizer vai me tirar desse caminho de auto conhecimento e auto construção. Sinto pouco se isso incomoda. Na verdade, sinto nada. Só desejo que um dia essas pessoas que me julgam um dia venham a se despir de preconceitos também, e consigam sorver da vida tudo que ela tem a oferecer. Se já passaram da idade, aí sinto muitíssimo mesmo, porque quem pensa assim é velho da cabeça, e a juventude do espírito é um dos maiores bens de um ser humano. O caminho certo pra ser feliz nessa vida parece ser mesmo esse: abrir os olhos, a cabeça e os braços, e se jogar nela.
Assim que eu conquistei a liberdade pra ir a Santa Luzia de ônibus em pleno domingo a tarde por conta de um aniversário. E assim também que eu consegui descobrir grandes músicos desse Brasil afora, que preocupam mais com a música que fazem do que a conta no banco. E assim que eu subi num palco do grande teatro da capital mineira pra pular e cantar junto com tanta gente feliz. E assim também que eu consegui desbravar os bares do centro da cidade, e os ônibus circulares, e as casas de show nos lugares mais distantes e menos convencionais.
Com essa cabeça aberta que eu ando vivendo.
E tá muito bom assim.