segunda-feira, 26 de julho de 2010
Sobre medos, quedas e aprendizado.
Nunca fui uma pessoa lá muito impulsiva, e semre gostei de ter tempo para analisar as possibilidadees, avaliar os riscos e pensar bastante. Semana passada recebi um convite para passar o fim de semana no meio do mato, num hotel fazenda com a familia do meu primo, onde eu seria tipo "a intrusa" mesmo. Como não tinha muito tempo pra pensar, respondi em alto e bom som um"sim" que soou cheio de certeza, mas na verdade dentro de mim haviam muitas dúvidas. Mas como disse aquele sim, meio que por impulso, meio por medo, resolvi ir mesmo. Fui, e continuei com o espirito impulsivo em todos os dias, sem pensar muito na hora de dizer sim às propostas, sem pensar muito na hora de me arriscar subindo pedras e mergulhando na escuridão de um rio profundo.
Enfrentei dois grandes medos, ou temores que é uma palavra mais delicada, durante esse final de semana. Nadei naquela cachoeira que normalmente me encheria de medo, e desabrochei em um ingles autodidata que acabou rendendo elogios, quando o normal teria sido eu continuar fingindo de surda para todas aquelas palavras conhecidas dos meus pouco vividos ouvidinhos.
Enfrentei outros medos tambem, não tão grandes. O medo de falar exatamente o que penso, de colocar pra fora algumas coisinhas que andam acontecendo nessa cabecinha que é tão intensa as vezes. Enfrentei o medo de sentar em uma mesa de pessoas pouco conhecidas e desabar a falar. Até andar descalça no meio do mato eu andei. E fui pisando naquelas pedrinhas pontiagudas, e de repente parei de senti-las. Parei de sentir a dorzinha e o incomodo que elas me proporcionavam para sentir a liberdade que a falta de um solado me dava. Andando por aquela cachoeira, sentindo cada pedra lisa e fria, mergulhando na agua gelada, escorregando no lodo das pedras, me senti de repente livre. Um tipo de liberdade que há tempos não sentia, e que me deu aquela sensação de pertencimento, quando você consegue se pertencer, e você se basta.
Aprendi também uma coisa muito importante nesse final de semana. Caminhando pela cachoeira, levei um tombo, daqueles bem ridiculos mesmo. E foi quando me levantei que percebi que nem havia doído tanto quanto eu imaginava. Aprendi, que melhor que saber andar, é saber cair. E melhor ainda que saber cair, é saber se levantar e continuar andando, sem ter medo de passar por ali. E foi assim que tomei confiança para passar por ali todos os dias sem temer a queda.
Foi uma viagem interessante, que não foi externamente intensa, mas dentro de mim a intensidade de sentimentos e experiências poderia ser descrita com uma palavra: viver.
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