terça-feira, 30 de novembro de 2010

Tomorrow never knows

Uma lista de pequenos afazeres vai se acumulando em uma página solta e perdida no meu caderno. Cada dia eu tenho que renová-la, porque tem coisas que eu consigo fazer, outras eu desisto, e muitas outras tornam-se necessárias.
Nos últimos dias eu ando sentindo uma necessidade enorme de me voltar pra dentro, esquecer um pouco toda essa confusão que está prestes a se instaurar ao meu redor. Nunca desejei tanto a ausência da minha familia. Uma atitude egoísta, talvez, mas regada por uma sinceridade sem precedentes. Aliás, que familia? Separações na maioria dos casos destroem as familias inteiras, e com a minha não está sendo diferente. Agora parece ser cada um por si, e todo mundo ainda fingindo que se importa. Mas eu cansei dessa hipocrisia familiar. E amanhã ficar bancando a familia feliz, a filha feliz, vendo olhares de ciúmes e ressentimento velados por trás do orgulho da filha formanda, vai ser um saco.

domingo, 28 de novembro de 2010

The Art

É por isso que eu ando me refugiando em livros, poemas, filmes e músicas.
É para tirar a poeira do dia-a-dia, para descansar a cabeça e conseguir colocar as coisas em ordem aqui dentro.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Então, tio Paul

peço-lhe mil desculpas por não ter respondido você quando perguntou "are you having a great time?". Desculpa, por não estar compartilhando do mesmo estado de espírito que você naquele momento que deveria ter sido o mais incrível da minha vida, mas é que realmente a única coisa que eu senti ali, foi uma imensa frustração por não ter conseguido enxergar absolutamente nada, e por estar morrendo de fome e de dor em todos os lugares possíveis, e por estar passando por tudo isso durante o que deveria ser o melhor show da minha vida. Mas tem coisa que acontece, infelizmente. Desculpa, de verdade. Pelo menos, eu consegui ver a lua e ela estava simplesmente maravilhosa.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Creating myself

Isso é o que eu sinto quando escuto Samba a Dois, ou quando olho pra minha prateleira e vejo meu cd do Bob Dylan, meus DVDs dos três filmes sobre grandes mulheres, e meus livros de poesia e romance inglês. É isso que eu sinto quando visto minha blusa que traz estampada uma declaração de amor a São Paulo, ou quando eu amarro aquele All Star de couro que é o meu primeiro, e que eu comprei sem pressão de nenhuma modinha. É o que eu sinto quando olho para os meus discos de vinil, ou para as minhas bonequinhas chinesas que fazem par com uma garrafa de vidro preenchida por cinco flores que eu comprei na Serra do Cipó, em uma lojinha de artesanato. É o que eu sinto quando escuto das pessoas que eu sou diferente, e quando eu visto meu suéter vermelho que eu comprei também sem pressão nenhuma de modinhas alheias. É o que eu sinto quando vou passando as músicas no meu iPod e escuto desde Tom Jobim, até The Strokes, passando por Abba, Bob Dylan, The Beatles, I Blame Coco, Frank Sinatra e Los Hermanos. É o que eu sinto quando vejo a cara de espanto das pessoas ao escutarem que eu vou fazer vestibular em São Paulo só pra poder ir no show do Paul McCartney, porque é o meu sonho e as datas coincidiram.
Porque agente não existe para ser achado. Nós existimos para sermos construídos.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Valeu a pena, ê ê!!!

Hoje eu tive o meu último dia de aula da minha vida escolar.
Desde sábado, eu estava ansiosa e só pensava nos últimos: a última segunda feira, a última terça, quarta, quinta, sexta, sábado. A última vez que eu ouviria o sinal, o último recreio, última vez que eu pegaria aquele ônibus, a última vez que eu desceria as escadas, o último almoço no Café. Desde semana passada, que eu venho vivendo nesse clima saudosista, guardando a saudade que fica dessa época tão boa que é a escola, e desse 3º ano que foi tão maravilhoso apesar de todos os tropeços, erros e do sufoco. Eu senti isso hoje, o dia inteiro. Desde a hora que eu cheguei na sala e disse mais uma vez: "tá acabando, gente!", até a hora que eu fiz um discurso em voz alta(!!!) na sala, e depois outro discurso emocionado no almoço para os amigos. Eu vivi intensamente todo esse clima de saudosismo e nostalgia antecipada hoje, o dia inteiro. Vivi isso intensamente para poder guardar no coração tudo que fica de bom, e poder então continuar caminhando por essa vida louca, voltando só de vez enquando nessas lembranças, só pra relembrar um pouquinho e sentir o tanto que foi bom. Porque no final das contas, foi muito bom. Se meu último ano fosse uma música, seria "Valeu a pena, ê ê, valeu a pena, ê ê, sou pescador de ilusão...".
Porque no final das contas, valeu a pena. E foi muito bom.
O dia hoje foi bem intenso, desde a hora que eu acordei e vesti minha blusa de uniforme (pela último vez), e me dirigi à escola, passando por aquele caminho da roça que já ficou tão natural aos meus olhos. A aula da Regina foi boa, o Flávio estava de bom humor(!!) e aceitou a caneca GG que nós compramos pra ele com um sorriso no rosto, contrariando nossos temores de uma reação sem graça, ou muito sem graça. O Rommel deixou de lado a física, deu dicas de como fazer a prova e acabou a aula falando coisas tão boas, que eu precisava ouvir pra poder enxergar que eu estava certa. Ele falou que se na hora da prova bater um desespero, e agente tiver vontade de chorar, que é pra pensar: eu vou decepcionar minha família? FODA-SE!!! Eu vou decepcionar minha escola? FODA-SE!!! Eu vou decepcionar o Rommel? FODA-SE!!! Porque a prova é minha, a vida é minha, e principalmente: existem coisas mais importantes na minha vida do que aquela prova. Se não der certo nesse ano, ano que vem tem mais.
A aula do Zé... Ah! A aula do Zé!!! Ele também desistiu da geografia, e acabamos fazendo um revezamento de discursos. Cada um falou um pouquinho, e quando eu falei minha voz saiu firme, falei bonito e até fui aplaudida. Cada um derramou naqueles minutos um pouco da importância desse ano, pedimos desculpas, agradecemos uns aos outros, e teve gente que falou bonito ao adimitir erros e se desculpar. Naquele momento, estávamos todos muito emocionados, e eu realmente me senti parte daquela "família". O Zé, chorou igual a um menino, e falou bonito também.
Assistimos uma pequena despedida que o colégio preparou pra gente, e saimos rumo ao Diamond, pra almoçar. Foi agente pisar na rua que começou a chover, só pra dar um charme a mais naquela melancolia toda. Mesmo assim, nós fomos andando na chuva, e foi uma delícia. Chegamos ao Diamond enxarcados, mas felizes. Almoçamos, eu falei um pouco para aquelas pessoas especiais sobre o quanto que elas foram especiais nesse ano, e chorei também. Deixei o que ainda havia de armadura sobre mim cair, e me mostrei nua e crua. E o mais importante: falei firme.
Passamos o resto da tarde despretensiosas, andando pelo shopping e tentando não pensar na prova de amanhã. Foi muito bom. Eu desejei que o dia de hoje nunca acabasse, e eu pudesse ficar ali, naquela redoma chamada shopping pra sempre. Mas como não é possível, saímos de lá, nos despedimos com um abraço e muitos desejos de boa sorte e sucesso.
Até agora estou vestindo meu uniforme, adiando o fim dessa útlima vez.
No final das contas, foi tudo muito bom.