"cathedrals in my heart" acho que define.
o limbo continua.
mas as coisas tão tomando forma. ainda muito sem forma, mas estão crescendo.
na última noite juntos foi assunto de conversa. ambos concordaram que estavam gostando muito, e não sabiam se feliz ou infelizmente. ele perguntou o que seriam os dois lados pra ela. ela falou que o lado infeliz era o medo, e o feliz era ele, e voltou a pergunta. ele disse que o felizmente era ela, e que o infelizmente era ele. ela fitou longe as luzes da rua. passados alguns segundos ele quis desfazer o malfeito e falou que não era para ela refletir tanto sobre aquilo, que podia acabar em conclusões erradas.
ela acabou em conclusões erradas, anyway.
mas pensou também que o que disseram poderia ser a mesma coisa. o felizmente dela era ele, e o infelizmente era ela - o seu medo.
a grande diferença era que ela, no caso, estava enfrentando o medo. ele, ela não podia saber.
acabaram esquecendo tudo e continuaram a noite. se amaram como nunca no nem sempre silêncio da noite, no quarto escuro. e quando tudo acabou, quando ele se foi, ela parou e pensou.
chegou a conclusão que na verdade, o felizmente ali era ela. e o infelizmente poderia acabar sendo ele.
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
plano de fuga pra cima dos outros
na última noite de boêmia ele falou uma coisa que deixou a moça intrigada. falou que o outro é sempre uma fuga de nós mesmos. a moça parou por alguns longos instantes e refletiu sobre aquilo tudo. pensou que talvez seria verdade. talvez não, com certeza. ele então lhe pediu que não deixasse aquilo acontecer de novo. que não deixasse que ele a contaminasse com toda aquela filosofia obscura que lhe rondava. que aquilo era um buraco sem fim, areia movediça. e terminou dizendo que o outro não era apenas uma fuga, era também um encontro consigo mesmo.
e ela pensou mais a respeito. refletiu observando aqueles olhos obscuros que a fitavam, quase um buraco negro. ela tinha medo de olhar demais. não no sentido piegas de cair pra dentro do buraco negro e nunca mais voltar. tinha medo de cair no buraco negro e não enxergar o que acontecia ao seu redor. tinha medo de se afogar ali dentro e não entender o que se passaria a sua volta. voltar ela voltaria. mas os instantes que poderia vir a passar lá dentro eram um grande enigma.
voltou-se para o caderninho recém adquirido e anotou aquelas frases pra se fazer pensar mais a respeito depois.
e pensa agora ela sozinha no quarto. o outro é sempre uma fuga de nós mesmos, e um encontro com nós mesmos. e se lembrou do Sabino, que fazia do medo uma escada e da procura um encontro. talvez devêssemos todos fazer da fuga um encontro, na realidade.
e confusa pontuou o finalmente do texto, fechou o caderno e apagou as luzes. mergulhou no breu da madrugada e se perdeu naquele buraco negro que ela já conhecia há tempos.
e ela pensou mais a respeito. refletiu observando aqueles olhos obscuros que a fitavam, quase um buraco negro. ela tinha medo de olhar demais. não no sentido piegas de cair pra dentro do buraco negro e nunca mais voltar. tinha medo de cair no buraco negro e não enxergar o que acontecia ao seu redor. tinha medo de se afogar ali dentro e não entender o que se passaria a sua volta. voltar ela voltaria. mas os instantes que poderia vir a passar lá dentro eram um grande enigma.
voltou-se para o caderninho recém adquirido e anotou aquelas frases pra se fazer pensar mais a respeito depois.
e pensa agora ela sozinha no quarto. o outro é sempre uma fuga de nós mesmos, e um encontro com nós mesmos. e se lembrou do Sabino, que fazia do medo uma escada e da procura um encontro. talvez devêssemos todos fazer da fuga um encontro, na realidade.
e confusa pontuou o finalmente do texto, fechou o caderno e apagou as luzes. mergulhou no breu da madrugada e se perdeu naquele buraco negro que ela já conhecia há tempos.
domingo, 4 de setembro de 2011
Maybe Not
A questão é que ela queria ter problemas dela. Não dos outros.
Queria fazer as próprias burradas, cometer erros e encontrar soluções. Queria aprender com as próprias ações. Mas que ações?
Queria fazer as próprias burradas, cometer erros e encontrar soluções. Queria aprender com as próprias ações. Mas que ações?
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Roteiros
A mãe queria uma vida em forma de novela mexicana.
Dramalhão.
Ela resolveu que não queria mais fazer parte daquilo tudo.
Se tinha que ter um script, pelo menos que fosse uma comédia romântica.
Dramalhão.
Ela resolveu que não queria mais fazer parte daquilo tudo.
Se tinha que ter um script, pelo menos que fosse uma comédia romântica.
sábado, 9 de abril de 2011
Tarde de sábado
Rim dói, as costas gritam e na nuca a dor clama por um travesseiro.Mas é tarde de prova no prédio com azulejos coloridos que pintam uma descontração organizada, um pouco forçando a barra. Ela queria voltar no tempo, claro, e sempre pensa nisso. Devia tatuar um relógio na mão pra se lembrar que o tempo só anda pra frente em movimento uniformemente acelerado. Ela queria voltar um mês e pouco mais, queria voltar seis meses pra não precisar estar ali. Mas ela acaba voltando é a atenção pro caderno de prova, e recomeça a pensar em como aliar os benefícios e evitar os prejuízos da tecnologia na vida das pessoas.
Quer saber uma coisa que ainda não inventaram? Um relógio tecnológico pra voltar o tempo. Isso seria um dos benefícios que ela enumeraria ali naquela redação de letra caprichada.
Quer saber uma coisa que ainda não inventaram? Um relógio tecnológico pra voltar o tempo. Isso seria um dos benefícios que ela enumeraria ali naquela redação de letra caprichada.
sexta-feira, 18 de março de 2011
São as águas de março fechando o verão
O dia anterior fora difícil para ela. Tivera dúvidas novamente, sobre um assunto que parecia já encerrado em sua cabeça. Tivera uma certeza, de querer abandonar tudo e se mandar para o outro lado do continente, mas depois de uma noite de bom sono resolveu sustentar o sonho antigo. Ela tinha que voltar para uma aula depois do almoço. Pensou em chamar a amiga para ir junto, mas preferiu ir sozinha um pouco pela melancolia do momento.
Na hora de pagar, o músico no restaurante cantava a música com o nome dela. Ela que sempre odiara aquela música sorriu sem perceber. Foi depois à biblioteca e saiu de lá com dois livros de poetas na mão. O tempo havia fechado enquanto ela estava lá dentro, e não demorou cinco ou mais passos para sentir as primeiras gotas de chuva daquela tarde de sexta feira. Enrolou os livros na blusa para que não molhassem e seguiu em frente debaixo da chuva - afinal, ela podia se molhar inteira.
A poesia não.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Cursinho Preparatório
Ela havia vivido toda a sua vida enclausurada em uma espera. Esperava a hora de tomar as rédeas da vida, a hora de viver. Vivia no cursinho preparatório da vida, e quando começou a não caber mais na carteira, sentiu que precisava de alguma forma passar daquela etapa. Queria fazer tudo de uma só vez, romper com aquele cotidiano abafado e inerte. Mas foi aprendendo que não podia ser daquele jeito. As coisas tinham que tomar forma, pra só depois ela poder - finalmente - romper em direção à vida.
Ela tinha sede de viver, mas tapeava a vontade se enchendo de ilusões.
domingo, 13 de março de 2011
Pretérito Mais Que Perfeito
Ela havia se perdido naquele mundo de expectativas e frustrações. Sempre esperara muito, desejara muito, nunca correspondida. Uma última decepção havia levado-a a se fechar. Fechara-se para a vida, para o amor principalmente. Decidira que só poderia viver dali a alguns anos, quando fosse dona da própria vida, senhora do seu destino. Passou tempo bastante naquela condição de esporo, aquele que se encontra em meio hostil para sobrevivência. O tempo foi passando. Ela que antes era uma garotinha tornou-se quase mulher. Amadureceu, passou a desejar a vida, e só. Mas sabia que aquele ambiente ainda era hostil, e não tinha muitos planos para o futuro.
Foi quando conheceu um outro mundo, em meio a uma cordilheira maravilhosa. Era um mundo diferente de tudo aquilo que já havia conhecido - que não era muito - mas a encatava como nunca. Descobrira afinal seu desejo para o futuro. Traçou caminhos, desenhou planos e comprou a bonequinha para carregar sempre consigo, lembrando-a de seu objetivo máximo. A bonequinha agora, era a senhora do seu destino.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Morte e Vida
Um dia ela se deparou com a pergunta: "Você tem medo da morte?"
"Eu tenho mais medo do não viver que do morrer" foi a resposta dela. E saiu pelo mundo com a tal resposta que brotou da sua cabeça instantâneamente, tentando decifrá-la. Pensou, pensou e chegou a uma conclusão:
- morrer é inevitável, viver não.
Ela não tinha medo da morte, tinha medo de não viver o suficiente ao longo da vida.
Tinha medo de não consegiur enfrentar a vida, o que é possível. Mas não enfrentar a morte é impossível. Ela ia ter que enfrentá-la um dia.
Já a vida, eram outros quinhentos.
A Terceira Pessoa
Ela acha mais fácil falar em terceira pessoa as vezes.
Porque, você sabe né? É mais fácil falar dos outros que de nós mesmos.
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