sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
É tudo um caos de coisas nenhumas
Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos - a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo. Todos estes meios tons da consciência da alma criam em nós uma paisagem dolorida, um eterno sol-pôr do que somos. O sentirmo-nos é então um campo deserto a escurecer, triste de juncos ao pé de um rio sem barcos, negrejando claramente entre margens afastadas.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
plenitude
é a palavra que melhor descreve o que eu costumava sentir com frequência antes, e que voltei a sentir no primeiro dia do ano. plenitude, nesse dia. presságio de um ano bom, eu imaginei. mal sabia que dali a quatro dias não teria mais a chance de sentir aquilo. sentimento é nosso, só nosso. de mais ninguém. pena que envolve outro, pena que não existe aquela plenitude nem na mais saudável e bem resolvida solidão. nem na mais feliz solidão existe essa plenitude que eu sentia. e que eu quero voltar a sentir.
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