Viver é tentar.
A gente quase nunca consegue, é verdade. Talvez, ainda mais verdade é que nunca conseguimos. Mas sem um motivo, sem uma razão, viver não tem sentido. E é por isso que sonhamos, planejamos, esperamos. Temos medos. Muitos, claro. E é por isso que tentamos.
O propósito da vida não é conseguir, nunca foi.
O grande propósito da vida é simplesmente viver, e quase sempre nos esquecemos disso. E nos frustamos quando não conseguimos, ou quando os outros parecem conseguir mais que nós. Mas a vida é isso mesmo.
E felicidade, felicidade é um momento. Felicidade vem, muda tudo, e passa.
Tristeza não é diferente. É na verdade bem igual: vem, muda tudo, e passa. Mas nos acostumamos a valorizar mais a felicidade do que a tristeza, e penso ser esse o grande mal da humanidade. Querer ser feliz pra sempre, e temer a tristeza sempre.
No final das contas, a felicidade é um momento.
A tristeza é um momento.
E é bem isso que somos: instantes.
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Um caminho de barro
As Ensinanças da Dúvida
Tive um chão (mas já faz tempo)
todo feito de certezas
tão duras como lajedos.
Agora (o tempo é que fez)
tenho um caminho de barro
umedecido de dúvidas.
Mas nele (devagar vou)
me cresce funda a certeza
de que vale a pena o amor
Tive um chão (mas já faz tempo)
todo feito de certezas
tão duras como lajedos.
Agora (o tempo é que fez)
tenho um caminho de barro
umedecido de dúvidas.
Mas nele (devagar vou)
me cresce funda a certeza
de que vale a pena o amor
Thiago de Mello
É isso aí. Nem sei mais se eu quero mesmo direito, se eu não quero mesmo a medicina, ou se eu quero é outra coisa. Não sei se eu quero a casa do pai, ou se vou continuar na casa da mãe. Não sei se eu quero aventura, se eu quero mansidão. Se eu quero poesia, romance, conto ou piada. Não sei se eu quero aula, estudo, ócio ou fé. Eu só sei de uma coisa: minha parede vai ser azul turquesa.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Diz tudo
''Perceber aquilo que se tem de bom
No viver é um dom, daqui não
Eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares vou
Sonhando em outros ares vou
Fingindo ser o que eu já sou
Fingindo ser o que eu já sou
Mesmo sem me libertar eu vou''
No viver é um dom, daqui não
Eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares vou
Sonhando em outros ares vou
Fingindo ser o que eu já sou
Fingindo ser o que eu já sou
Mesmo sem me libertar eu vou''
domingo, 12 de junho de 2011
García Marquez
Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado de alma e sim um signo do zodíaco.
Memória de minhas putas tristes - Gabriel García Marquez (pág.74)
sábado, 11 de junho de 2011
Do inconsciente altivo
Tô indo pra onde me cabe. Pra onde me aguenta, pra onde me escapa.
Tô indo me perder no vazio onírico do presente impensado - e imperfeito, já que não é presente. Podia ser passado, mas como o momento passou ficou apenas o desejo. E já que não há mais pontos, mais tontos, mais pombos, a gente fica com o sonho - que é a dádiva dos que não falam.
Tô indo me perder no vazio onírico do presente impensado - e imperfeito, já que não é presente. Podia ser passado, mas como o momento passou ficou apenas o desejo. E já que não há mais pontos, mais tontos, mais pombos, a gente fica com o sonho - que é a dádiva dos que não falam.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Carpinejar
Coisa mais bonita que o Carpinejar trouxe pro meu dia hoje. Ele quase sempre me deixa sem palavras, e hoje não foi diferente. Bonito esse jeito dele de pegar uma coisa tão delicada,um sentimento tão íntimo das pessoas e transformar em crônica-poesia. Acho lindo, e quero compartilhar.
Aquele que não foi amado é o que mais ama.
É o menino que nunca beijou, distraído na sala de aula, capaz de descobrir a direção do vento observando os pelos loiros do pescoço da colega.
É a menina que tem uma única dúvida: até quando devo estender a língua em outra boca? Sem pais, sem professores, sem amigos para perguntar uma coisa dessas.
É o jovem de topete, fingindo que não é virgem no recreio, mas que ainda dorme com o travesseiro entre as pernas.
É a jovem ruiva que se excita andando de bicicleta e engolindo vento.
É o velho na janela que somente conheceu putas.
É a velha vizinha dele que gostaria de ter sido puta.
Os tímidos, os feios, os recalcados, os lindos, os arredios, os brabos; fico pensando em quem silencia suas vontades para não incomodar e têm o silêncio cheio de tremores.
Aquele que ama sem ser amado é o que mais ama.
É a secretária louca pelo seu chefe e que passará a vida anotando recados da esposa dele (há o que confessa a verdade pelo ciúme, e o que guarda toda a verdade na inveja).
É o adolescente que pede para o ônibus encher e assim esbarrar na moça de colar de pérola (há o que consegue puxar conversa, há o que espera ser empurrado).
É o professor que teve uma única namorada e desvia o olhar dos casais se abraçando nas praças (há o que levanta a cabeça com orgulho, há o que baixa de tanto que deseja).
É a faxineira que cuida do vestido da patroa, prende no cabide e não se aguenta: coloca a peça sobre os seios rapidamente temendo que alguém entre (há o que exibe seu corpo, há o que se encolhe para receber outro corpo).
É a casada que anseia jantar uma noite fora para usar de novo o par de brincos do casamento. É o homem que não faz barba para esconder as acnes e as marcas da adolescência.
Ai, como dói quem espera amar. Quem dedica uma vida à disciplina da paciência, torcendo para o sexo melhorar o casamento, torcendo para o casamento melhorar o sexo, torcendo para que o marido não fique bêbado ao menos uma vez, torcendo para que a esposa não reclame ao menos uma vez, dormindo e esquecendo a tristeza, acordando e repondo a esperança, aqueles que resistem e talvez envelheçam sem completar seus sonhos, que respeitam as pequenas alegrias porque podem ser as únicas, que não decidiram se diminuem a expectativa para sair da solidão ou aumentam as exigências para justificá-la.
Como eu amo quem se importa em amar, apesar de tudo. Apesar de tudo.
O quase é tão cheio de tudo
Aquele que não foi amado é o que mais ama.
É o menino que nunca beijou, distraído na sala de aula, capaz de descobrir a direção do vento observando os pelos loiros do pescoço da colega.
É a menina que tem uma única dúvida: até quando devo estender a língua em outra boca? Sem pais, sem professores, sem amigos para perguntar uma coisa dessas.
É o jovem de topete, fingindo que não é virgem no recreio, mas que ainda dorme com o travesseiro entre as pernas.
É a jovem ruiva que se excita andando de bicicleta e engolindo vento.
É o velho na janela que somente conheceu putas.
É a velha vizinha dele que gostaria de ter sido puta.
Os tímidos, os feios, os recalcados, os lindos, os arredios, os brabos; fico pensando em quem silencia suas vontades para não incomodar e têm o silêncio cheio de tremores.
Aquele que ama sem ser amado é o que mais ama.
É a secretária louca pelo seu chefe e que passará a vida anotando recados da esposa dele (há o que confessa a verdade pelo ciúme, e o que guarda toda a verdade na inveja).
É o adolescente que pede para o ônibus encher e assim esbarrar na moça de colar de pérola (há o que consegue puxar conversa, há o que espera ser empurrado).
É o professor que teve uma única namorada e desvia o olhar dos casais se abraçando nas praças (há o que levanta a cabeça com orgulho, há o que baixa de tanto que deseja).
É a faxineira que cuida do vestido da patroa, prende no cabide e não se aguenta: coloca a peça sobre os seios rapidamente temendo que alguém entre (há o que exibe seu corpo, há o que se encolhe para receber outro corpo).
É a casada que anseia jantar uma noite fora para usar de novo o par de brincos do casamento. É o homem que não faz barba para esconder as acnes e as marcas da adolescência.
Ai, como dói quem espera amar. Quem dedica uma vida à disciplina da paciência, torcendo para o sexo melhorar o casamento, torcendo para o casamento melhorar o sexo, torcendo para que o marido não fique bêbado ao menos uma vez, torcendo para que a esposa não reclame ao menos uma vez, dormindo e esquecendo a tristeza, acordando e repondo a esperança, aqueles que resistem e talvez envelheçam sem completar seus sonhos, que respeitam as pequenas alegrias porque podem ser as únicas, que não decidiram se diminuem a expectativa para sair da solidão ou aumentam as exigências para justificá-la.
Como eu amo quem se importa em amar, apesar de tudo. Apesar de tudo.
O Blog dele vale o click: http://carpinejar.blogspot.com/
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
De estar de férias
Férias pra mim é tipo silêncio ao meu redor.
É a hora que eu tenho no ano pra pensar, pensar e pensar só.
Sozinha e apenas.
Posso ir ao cinema sozinha dois dias seguidos, alugar filme pra ver madrugada adentro, comprar damasco e me aventurar na cozinha, e ir a pé da Contorno até a biblioteca pública (que é meu novo deleite). Posso planejar meu sonho milionário, e viver no impossível mil vidas.
É a hora do ano que eu tenho pra esquecer o mundo lá fora, e mergulhar pra dentro de mim mesma (por mais clichê que lhe pareça, é bem isso mesmo).
Mergulhei nessas últimas férias e não me deparei com a escuridão que antes me aterrorizava. Me deparei com uma luminosidade que me cegava as vezes, as vezes não. Me revelava a mim mesma, me entregava ao desconhecido, e me fez enxergar que o buraco negro aqui de dentro transformou-se em um jardim de terras férteis, pronto para virar um jardim lindo. Mas espera que ainda não é hora de florecer. É hora de jogar sementinha, regar, fazer carinho. Espera mais um pouco, ano que vem talvez dê.
No mais, as férias estão boas e acabando.
Boas devido aos filmes de toda semana, várias vezes na semana (isso vem em outro post, um pouco menos poético e inspirado). Boas devido aos damascos e pipocas, ao suor de satisfação por voltar a correr e ter tempo para. Boas devido ao meu time que ganhou ontem e fez cinco a zero.
A única coisa que anda meio no extremo, é esse calor que não cessa. Mas, enfim, é uma oportunidade de me livrar da calça jeans, aquela safada!
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Poema dadaísta
''A estranheza dos impropérios proferidos
O sentido das palavras não proferidas''
Hoje, estudando sobre o dadaísmo, o professor nos propôs essa brincadeira. Cada um escreveria uma frase e dobraria o papel, podendo ler apenas a frase escrita anteriormente. Tive a sorte de cair com essa primeira frase, que fez com que duas outras pessoas passassem a vez, por considerá-la muito difícil. Eu também achei a princípio, e só depois veio a inspiração pra escrever essa segunda frase. Acabou caindo como uma luva não só no poema, mas também na minha vida.
Por essas e outras que eu gosto das aulas de literatura.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
After all
''Há um silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras.''
Clarice Lispector
ou
''Just waiting 'til the shine wears off''
Coldplay
ou
''O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais.''
Guimarães Rosa
ou
''E queria sempre achar explicação pro que eu sentia.''
Renato Russo
ou
''I'm tired of being alone, so hurry up and get here''
John Mayer
ou
''Living is easy with eyes closed''
The Beatles
ou
''It's all right and all wrong''
Eddie Vedder
Uma confusão de sentimentos.
Coisa demais em uma cabeça só.
Precisando urgentemente de uma limpeza.
Clarice Lispector
ou
''Just waiting 'til the shine wears off''
Coldplay
ou
''O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais.''
Guimarães Rosa
ou
''E queria sempre achar explicação pro que eu sentia.''
Renato Russo
ou
''I'm tired of being alone, so hurry up and get here''
John Mayer
ou
''Living is easy with eyes closed''
The Beatles
ou
''It's all right and all wrong''
Eddie Vedder
Uma confusão de sentimentos.
Coisa demais em uma cabeça só.
Precisando urgentemente de uma limpeza.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Do lado do avesso
Hoje, eu andei passeando por alguns blogs e econtrei isso aqui em um desses blogs:
"E foi assim, a moça abriu o e-mail na noite fria e lá estava a surpresa da amiga que, por algum tempo, preferiu virar tatu-bola para se proteger de alguns perigos da grande travessia. Ela só queria se tornar invulnerável aos dentes dos cães, igualzinho mesmo ao tatu. Mas descobriu que os girassóis existem.
Quase uma oração
"Um dia a gente acorda e percebe que mudou, depois de levar muita porrada e ter os ossos moídos junto aos sonhos.
Um dia a gente acorda e percebe que nem toda mudança precisa ser amarga,
embora o que nos mova quase sempre seja a dor, esta parceira do imprevisto.
Um dia a gente acorda e descobre do lado do avesso um espaço zen, uma espécie de paz interior que nos adula e acaricia,como se a mãe voltasse a nos pegar no colo.
Neste dia, inexplicavelmente,
decidimos que o melhor a fazer
numa manhã é plantar um girassol
só para ver, dali a um tempo,
sem angústia, dilema ou rejeição,
que a vida dança a dança dos dervixes...
e que a nossa entrega à vida
é um ritual sem hoje nem amanhã.
A felicidade pode ser o ato de movimentar -se
como os girassóis, para lá e para cá,
só pra ver onde começa e onde termina o dia...
sem pressa.
Os acontecimentos não nos pertencem."
Célia Musilli"
Acabei me identificando com essa amiga, que teve que virar um tatu-bola pra se proteger da vida. Essa amiga que queria ficar invulnerável aos sofrimentos, e que acabou descobrindo depois de um tempo, que existem coisas muito lindas nessa vida.
É isso aí.
Enquanto os acontecimentos insistem em me mostrar que nada é muito fácil, e tudo merece um bom sofrimento, eu insisto em ver a vida pelo lado bonito.
Afinal, é a vida.
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