segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Hospício de vida

Eu me perdi na loucura de querer ser normal.
Não pisar na bolar, não dar vacilo, não pagar mico. Evito cada situação possivelmente constrangedora, me atiro no vazio da falta de ação e acho que é bom viver assim.
Achava.
Comecei a entender que evitar a ação é igual a evitar a vida. Porque viver é agir, é ser. É tentar ser. É errar, se perder e tentar se encontrar. Agente quase nunca se encontra, pra falar verdade. Mas o que nos move é essa última esperança de plenitude, se pertencer.
Eu me pertenço inteira ou quase por dentro. Mas pro mundo, sou uma interrogação. Um poço de contradições,
um coisinha sem graça.
A menina do fundo da sala, que não fala, mas interage com a aula. Ela ri das coisas engraçadas, das ironias. Ela balança a cabeça em sinal de aprovação ou reprovação, ela ouve o sinal e espera pelo fim da aula. Mas ela é só isso, e se acha tão mais. Porque é muito mais pra si mesma. Mas pro mundo, não se revela com medo de errar.
Alguém tem notícia de um hospício pra gente com medo de viver?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

I Had The Craziest Dream Last Night

Meu sonho foi outro.
Minha mãe admitia que não me queria mais por perto pelo telefone, e eu escutava por trás da porta. O mais louco é que aquilo não doia. O que machucava era o fato de ela ter demorado tanto tempo para admitir aquilo, o fato de ela ter me sujeitado, nos sujeitado a todo aquele melodrama, todas aquelas discussões, todos os silêncios. Eu voava no pescoço dela, tentava machucá-la de raiva por ter sido tão egoísta ao ponto de não ter me deixado ir quando eu quis. E depois, simplesmente anunciava que iria me mudar, iria morar com meus avós ao que ela ouvia sinalizando aprovação.
O mais louco do sonho, é que depois eu me sentia em paz. Planejava levar o móvel para estudar, e talvez pintar a parede. Reagia com serenidade. E aquilo não me machucava, me trazia tranquilidade.
E não me doeu quando acordei tambem.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Re-começo

Mais um domingo que fica. Domingo de festa, comida boa, gols e decepção. Agora é começar vida nova pra fazer as coisas darem certo nesse 2011 que era uma interrogação, e agora é só meia. Vontade tem de sobra, mas na hora que o bicho pega e agente dá de cara com a dificuldade ela some que nem brigadeiro em festa de criança. Mas o bom é ter coragem pra recomeçar tudo. De novo.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Morte e Vida

Um dia ela se deparou com a pergunta: "Você tem medo da morte?" "Eu tenho mais medo do não viver que do morrer" foi a resposta dela. E saiu pelo mundo com a tal resposta que brotou da sua cabeça instantâneamente, tentando decifrá-la. Pensou, pensou e chegou a uma conclusão:
- morrer é inevitável, viver não.
Ela não tinha medo da morte, tinha medo de não viver o suficiente ao longo da vida. Tinha medo de não consegiur enfrentar a vida, o que é possível. Mas não enfrentar a morte é impossível. Ela ia ter que enfrentá-la um dia. Já a vida, eram outros quinhentos.

A Terceira Pessoa

Ela acha mais fácil falar em terceira pessoa as vezes. Porque, você sabe né? É mais fácil falar dos outros que de nós mesmos.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

De estar de férias

Férias pra mim é tipo silêncio ao meu redor.
É a hora que eu tenho no ano pra pensar, pensar e pensar só.
Sozinha e apenas.
Posso ir ao cinema sozinha dois dias seguidos, alugar filme pra ver madrugada adentro, comprar damasco e me aventurar na cozinha, e ir a pé da Contorno até a biblioteca pública (que é meu novo deleite). Posso planejar meu sonho milionário, e viver no impossível mil vidas.
É a hora do ano que eu tenho pra esquecer o mundo lá fora, e mergulhar pra dentro de mim mesma (por mais clichê que lhe pareça, é bem isso mesmo).
Mergulhei nessas últimas férias e não me deparei com a escuridão que antes me aterrorizava. Me deparei com uma luminosidade que me cegava as vezes, as vezes não. Me revelava a mim mesma, me entregava ao desconhecido, e me fez enxergar que o buraco negro aqui de dentro transformou-se em um jardim de terras férteis, pronto para virar um jardim lindo. Mas espera que ainda não é hora de florecer. É hora de jogar sementinha, regar, fazer carinho. Espera mais um pouco, ano que vem talvez dê.
No mais, as férias estão boas e acabando.
Boas devido aos filmes de toda semana, várias vezes na semana (isso vem em outro post, um pouco menos poético e inspirado). Boas devido aos damascos e pipocas, ao suor de satisfação por voltar a correr e ter tempo para. Boas devido ao meu time que ganhou ontem e fez cinco a zero.
A única coisa que anda meio no extremo, é esse calor que não cessa. Mas, enfim, é uma oportunidade de me livrar da calça jeans, aquela safada!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

True Greatness

Juntando os pedacinhos espalhados pela expectativa e pela decepção. Mas é assim mesmo: quando não é pra ser, simplesmente não é.