sexta-feira, 27 de junho de 2014

dos nove

uma criança nasce depois de nove meses de gestação.
semana passada, em meio a uma conversa com a tfm, me dei conta de que estávamos completando nove meses.
e eu sempre conto do início, porque acho que foi lá que tudo começou mesmo. a coisa que era vontade virou realidade, e começou a ser gestada. tivemos a fase da incerteza, das dúvidas, do deixa rolar (que não deixa de ser uma fase boa, gostosa, leve). aí foi continuando, virou certeza e concreto.
minha prima teve uma filha, dias antes de completarmos nove meses. uma criança é gestada ao longo de nove meses. tem o início, com expectativas, incertezas, dúvidas. e aí a coisa vai continuando, vira certeza e concreta, até o dia que a criança nasce pro mundo. ela vive.
há alguns dias as coisas não estão lá muito boas. algumas semanas, a gente pode dizer. na minha cabeça eu torço para os seis meses que fazem o cabo das tormentas virar a boa esperança serem na verdade os nove meses. torço pra chegar a hora de acabar de gerar essa relação. dela nascer, pro mundo.

domingo, 15 de junho de 2014

Right in this moment this order's tall

quando Bon Iver toca repetidamente por aqui, é sinal de que tem chuva.
e tá tocando.

domingo, 1 de junho de 2014

vida mais real

ao longo da vida eu aprendi a me preservar. desde menina, pouco se sabia sobre a minha vida. nunca fui a pessoa que levava os amigos pra casa, só alguns poucos e bons.  não era a pessoa que contava das minhas aventuras pseudo-amorosas, só para alguns poucos e bons. não falava da separação dos pais, nem de como vivi num quarto com os outros 3, nem de como a família desmoronou depois da derradeira separação. quando a mãe passou dos limites, perdi um pouco o pudor. mas só para alguns poucos e bons. isso chama preservação. aprendi na vida que se me abrisse demais, hora ou outra ia acabar me machucando. e tem outra, quem pouco vive tem pouco a dizer, e as pessoas esperam tanto da gente, sabe? o bom foi que acabei empatando quando mais velha, e tive histórias para contar. até essas histórias antigas, que antes eram constrangimento, acabaram se tornando histórias menos difíceis de falar.
mas fato é: é fácil e menos desconfortável viver assim, sem ter que falar muito, fugindo do assunto quando necessário. e por mais que se amadureça um pouco, isso ficou. mas aí chega um dia que, com sorte, você vai ter um alguém do seu lado. e aí vai acontecer de você não ser sincera com esse alguém. só que não vai ser igual com o resto do mundo, que você diz que não é nada, e muda de assunto, e ali mesmo acaba. esse alguém vai te conhecer minimamente e com um pouquinho de sensibilidade vai entender que não "não é nada". e aí de repente você se vê sendo pouco sincera com quem merece toda a sua verdade. e aí, pior ainda, você se vê machucando alguém que você ama, e isso dói mais que o desconforto de ter que falar a verdade. volta pra você, vezes três.