sexta-feira, 2 de junho de 2017

aquela embriaguez da primeira garrafa de cerveja do início da noite

as bochechas quentes, a fala macia, os olhos em camera lenta e a luz mais brilhante que sempre


domingo, 30 de abril de 2017

Vida, pisa davagar


Belchior foi a trilha sonora de uma das melhores fases da minha vida. 
Fugindo (ou não) de clichês em torno dele (e se tem uma coisa que ele conseguiu ser maravilhosamente, foi um belíssimo e sensível clichê pra quase tudo na vida), o que ele cantava teve significado especial e único na minha vida, em especial nesse tempo de liberdade, inconsequência e juventude (no seu sentido mais puro). 


Esse ano eu faço 25 anos (de sonhos, nem sei mais). Sempre ansiei por esse aniversário para poder celebrar e cantar À Palo Seco (RC é testemunha). A morte dele talvez signifique um pouco da morte de tudo isso da minha juventude (essa época destemida, inconsequente, feliz e de madrugadas). A morte do Belchior, poeticamente ou não, angustia ainda mais um coração já angustiado pelos encerramentos que essa fase da vida nos impõe. Vida, pisa devagar.

sábado, 31 de dezembro de 2016

só sei que agora eu dei uma animadinha

Eu sempre tive uma mania estranha de eleger músicas para cada ano que começava. Há alguns anos eu não fazia isso, mas quando ouvi Animadinha, eu soube: essa música merece um ano. E guardei ela pra 2016.

Guardei Animadinha pra 2016, como quem guarda o último pedaço de bolo pro final de um domingo preguiçoso. Guardei Animadinha como quem guarda a borda da pizza pra comer por último. Guardei Animadinha pra 2016, igual guardei aquele sabonete de sal grosso da Bahia, pro dia que eu finalmente consegui chegar ao fim.

2016 foi tudo o que tinha que ser na minha vida. Meu sentimento é de que tudo que tinha que acontecer, aconteceu. 

Em 2016 eu perdi dentes, prazos, pudores, títulos. Tateei no escuro. Me estilhacei. Me estranhei, me desconheci, me conheci, e chego nesse final de ano me reconhecendo.

O saldo não podia ser mais positivo. 

Que 2017 nos seja generoso

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

top 5 de filmes do ano

Os melhores filmes de 2016 foram:

1- As cinco graças
2- Meu Rei
3- O quarto de Jack
4- Aquarius
5- Agnus Dei

(coincidência ou não, todos os 5 filmes têm como enredo principal histórias de mulheres fortes)

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

hoje,

uma mulher morreu.
postou um desabafo, no qual contava toda sorte de abusos emocionais que tinha sofrido por conta de um ex-chefe e ex-professor. e ela provavelmente se matou. se despedia no texto, falava que queria justiça. mas que pra ela já tinha dado.
quando leio esse tipo de coisa, tão palpável, tão cruel, lembro de tantas e tantas mulheres da minha vida.
lembro da minha bisavó, que conviveu com um casamento de aparências e se contentou com o silêncio de uma vida dupla do meu bisavô. lembro da minha mãe, sempre a louca da relação, que já quis deixar de viver por conta dos abusos psicológicos e das migalhas que lhe eram dispensadas por um homem que passou pela vida dela. lembro da minha namorada, que definhou por um homem que não era capaz de oferecer a ela nada além da humilhação constante. lembro de mim, que também já estive na frente do computador aos prantos, procurando por ajuda e me sentindo completamente paralisada. lembro da minha amiga, que até hoje tenta se colocar de pé pra superar um cara que queria fazer dela um fantasma na vida dele. e tantas, e tantas, e tantas outras.
eu já falei mil vezes, eu não me canso de falar. não existe relacionamento não abusivo entre homem e mulher. e não, eu não estou falando que os abusos são exclusivos da heterossexualidade, nem que são exclusivos dos homens-agressores. não. não é isso.
o que eu quero dizer, é que os relacionamentos abusivos são a regra em relacionamentos heterossexuais. e isso não exclui nada. é só uma, das várias constatações que podemos fazer.
e são a regra, porque existe um jogo de poder instituído por um mundo machista, que coloca sempre nós, mulheres, abaixo. nós, mulheres, como as loucas. nós, mulheres, como os objetos do controle masculino. as bonequinhas da auto-afirmação máscula.
mas nós somos mais. nós sobrevivemos. nós nos encontramos, nos redescobrimos. e quando nós nos apoiamos, somos ainda maiores.

domingo, 23 de outubro de 2016

eu sou um touro e uma cabra

meu amor por você, no início, foi de entrega absoluta. eu lembro de me preocupar com o retorno durante muito tempo. lembro de sofrer imensamente pelas ausências, pela gaveta que você criou pra mim na sua vida. lembro da analista me falando isso: você é uma gaveta. pode até ser grande, mas é uma gaveta. o que mais me machuca, hoje, é pensar que eu não mereci, não era incapacidade sua. porque você tá sendo capaz, em tão pouco tempo. eu não merecia, e você é quem achava isso. não sou eu quem acho. minha pergunta é aquela: "por que?". eu acho que é falta de amor que faz isso. porque amor e controle são coisas diferentes, e hoje eu enxergo muito mais controle do que amor. muito mais fraqueza do que amor. meu sentimento é que a sua dependência emocional me esvaziou por inteira. você sugou de mim toda minha luz. e nem se fez iluminado, isso é o pior. quando eu finalmente me libertei, e segui em frente, você foi capaz de fazer o mesmo. por que não fez isso antes? minhas únicas questões são essas: por que não me deixou ir antes? eu fiquei, por muito tempo, só por você. eu já estava seca, vazia, e você sabia disso. eu negava por cuidado, mas nunca fui boa em esconder as coisas de dentro. tudo o que você me negou, e hoje entrega (porque é capaz, sempre foi) destruiu meu sentimento. quase me destruiu também, mas eu sou forte. "pra me derrubar só traulitada meu amor, eu sou um touro". eu não queria que tivesse sido diferente, no geral. eu não queria que você tivesse me dado a entrega. eu só queria que você tivesse me deixado ir antes. eu só queria recuperar meu tempo perdido. mas o que ficou de aprendizado também, isso é invencível. o amor acabou há tempos, antes mesmo da gente acabar. o que restou, hoje, foi só mágoa mesmo. e eu sempre fui muito propensa a guardar mágoas, deve ter um signo no meu mapa explicando. elas se demoram dentro de mim, mas um dia passam. e passam inteiras, isso é bom. passam como que digeridas. fica só aprendizado, que é o que tem de bom pra ficar. eu tenho estado assim, esperando isso passar. enquanto isso, a vida segue em frente, e você é só uma pedrinha, bem pequena, que só me incomoda quando eu lembro que existe. todo o resto, é bem maior.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

tocando em frente, ou: de um, dois, três anos depois, a felicidade que bate de novo na porta

ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais
hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
só levo a certeza de que muito pouco sei, ou nada sei.

há um ano atrás, eu estava em estado de casulo. eu sempre fui dessas que sabe que vai passar, e que sabe esperar. eu esperei, e eu sabia que ia ser bom. eu guardei o sabonete de sal grosso da Bahia pro dia que o casulo começasse a abrir. eu nunca achei que ia ser fácil, rápido, ou indolor. mas eu sempre soube que um dia, em breve, ia voltar a ser bom, ia voltar a ser leve.

é preciso amor pra poder pulsar
é preciso paz pra poder sorrir
é preciso chuva para florir

a vida não é fácil, amigos. não é, e eu sei disso também. mas ela pode ser feliz, se a gente dá mais atenção e valoriza o que nos faz bem. e coloca isso como prioridade na vida: ser feliz. eu deixei por muito tempo isso de lado, e eu não me arrependo porque era o que eu podia e conseguia fazer naquele momento. e era necessário. é preciso chuva para florir. mas hoje tá tudo florescido já. cheio de flores. e olha só, tudo isso veio em plena primavera, a vida as vezes é ridiculamente clichê, maravilhosamente clichê. que lindo.

cada um de nós compõe a sua história
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz
de ser feliz