apesar de não parecer, eu sempre fui bastante romântica. já me perdia em paixões platônicas desde pequena, e com o tempo fui descobrindo que isso não era bom pra cabeça. acabei me perdendo na ideia do amor. idealizava sempre um possível amor, que nunca chegou a acontecer. isso de amor idealizado não existe.
há quatro meses surgiu na minha vida uma pessoa que há algum tempo eu já reparava, nunca de forma idealizada. só de longe, uma possibilidade remota que acabou virando realidade. e desde então que eu venho desconstruindo cada ideia de amor que já passou algum dia pela minha cabeça.
isso de amor romântico não existe.
existe é relação humana. é você descobrir que o outro é exatamente igual a você, com todos os defeitos possíveis, e qualidades também. é descobrir que o outro também vive no mesmo mundo que você, também vê as mesmas coisas que você, sejam elas belas paisagens ou bundas bonitas. é descobrir que para além de você, o outro também tem uma vida muito maior, assim como a sua.
amor que existe, amor que é real, é esse de aceitar o outro, ainda que com dificuldade, com toda a sua bagagem. é aceitar a vida do outro que você desconhece, é aceitar os defeitos do outro (conhecidos ou não), é aceitar.
eu e minha vida estamos sendo remexidos há quatro meses.
todas as minhas inseguranças expostas, todos os meus defeitos apontados. desde as imperfeições estéticas até o pavor de dançar em público. minhas fraquezas, meus medos, meu ciume (que não deixa de ter a ver com as minhas inseguranças), meus dramas pessoais. minha dificuldade em lidar com o outro, meu problema em falar as coisas. tudo. tudo, tudo, tudo.
amor também é isso.
é ser revelado para o outro.
há quatro meses que eu tenho alguém com quem conversar quando preciso ou quero. ainda que não recorra sempre a esse alguém, eu tenho. alguém pra dar bom dia, alguém pra contar da chuva, pra falar nada. amor também é isso. amor também é a parte boa, e é isso que faz tudo valer a pena. é o olhar que se saca do outro lado da sala, é a mensagem que te faz sorrir. é o beijo tímido no corredor, é o abraço apertado, é o prazer na cama.
tudo isso se torna um tanto quanto suspeito pela possibilidade de ser lido, mas a verdade é essa.
há quatro meses que me colocaram pra rever meus conceitos de amor, e há quatro meses que eu os reconstruo, nem sempre da forma que imaginava, mas ainda assim feliz.
porque é real.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
domingo, 16 de fevereiro de 2014
sobre a flauta salgada e do que não cabe no peito
no ônibus, uma ou outra lembrança me fizeram parar pra pensar no tanto que a coisa é grande e parece que transborda, tem hora.
de lembrar de cada expressão, do jeito de falar, do jeito de me chamar e do olhar peculiar de cada momento. aquela coisa, do sorriso da nossa dinâmica, sabe como? não o sorriso dos outros.
é muito, é grande, é bom.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
constatação sobre o desconhecido
quando uma pessoa entra pra sua vida para além do banal, vem junto toda uma vida.
todas as vivências, felicidades, amores, tragédias pessoais. é preciso muita sabedoria para aceitar toda essa carga pessoal, ignorando-a por completo. tudo que a gente passa na vida nos faz, nos transforma. tudo nos acompanha. e quando uma pessoa entra para a nossa vida, leva tempo até conhecer esta carga pessoal. aliás, ela nunca é completamente conhecida já que só quem vive que sabe. então somos completos ignorantes em relação ao outro, e temos ainda assim que conviver com tudo isso que desconhecemos.
todas as vivências, felicidades, amores, tragédias pessoais. é preciso muita sabedoria para aceitar toda essa carga pessoal, ignorando-a por completo. tudo que a gente passa na vida nos faz, nos transforma. tudo nos acompanha. e quando uma pessoa entra para a nossa vida, leva tempo até conhecer esta carga pessoal. aliás, ela nunca é completamente conhecida já que só quem vive que sabe. então somos completos ignorantes em relação ao outro, e temos ainda assim que conviver com tudo isso que desconhecemos.
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