quinta-feira, 10 de novembro de 2016

hoje,

uma mulher morreu.
postou um desabafo, no qual contava toda sorte de abusos emocionais que tinha sofrido por conta de um ex-chefe e ex-professor. e ela provavelmente se matou. se despedia no texto, falava que queria justiça. mas que pra ela já tinha dado.
quando leio esse tipo de coisa, tão palpável, tão cruel, lembro de tantas e tantas mulheres da minha vida.
lembro da minha bisavó, que conviveu com um casamento de aparências e se contentou com o silêncio de uma vida dupla do meu bisavô. lembro da minha mãe, sempre a louca da relação, que já quis deixar de viver por conta dos abusos psicológicos e das migalhas que lhe eram dispensadas por um homem que passou pela vida dela. lembro da minha namorada, que definhou por um homem que não era capaz de oferecer a ela nada além da humilhação constante. lembro de mim, que também já estive na frente do computador aos prantos, procurando por ajuda e me sentindo completamente paralisada. lembro da minha amiga, que até hoje tenta se colocar de pé pra superar um cara que queria fazer dela um fantasma na vida dele. e tantas, e tantas, e tantas outras.
eu já falei mil vezes, eu não me canso de falar. não existe relacionamento não abusivo entre homem e mulher. e não, eu não estou falando que os abusos são exclusivos da heterossexualidade, nem que são exclusivos dos homens-agressores. não. não é isso.
o que eu quero dizer, é que os relacionamentos abusivos são a regra em relacionamentos heterossexuais. e isso não exclui nada. é só uma, das várias constatações que podemos fazer.
e são a regra, porque existe um jogo de poder instituído por um mundo machista, que coloca sempre nós, mulheres, abaixo. nós, mulheres, como as loucas. nós, mulheres, como os objetos do controle masculino. as bonequinhas da auto-afirmação máscula.
mas nós somos mais. nós sobrevivemos. nós nos encontramos, nos redescobrimos. e quando nós nos apoiamos, somos ainda maiores.

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