ainda sobre as sensações que andam me rondando, me lembrei dessa carta do Hélio Pellegrino que aparece no Encontro Marcado, do Sabino.
diz tudo:
"O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas
experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos,
servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a
si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e
não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima
existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O
começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na
medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a
solidão nos atravessa como um dardo. É meio dia em nossa vida, e a face do
outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio dia, se percebe
em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro
com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o
trabalho do homem que merece seu nome"
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