tava muito certo pra ser de verdade.
desde antes já sentia que tinha alguma coisa fora do lugar, sempre teve o pé atrás e não entendia o porquê. ainda bem que teve o pé atrás. podia ter sido pior.
recebeu a ligação dele no trabalho, fez o coração palpitar. arritmia já conhecida de antes. quando conversaram, o preciso conversar com você fez ela sentir um aperto. veio a outra ligação, a dela. outra conversa com a mesma cara, o mesmo tom. pensou em todas as possibilidades: desde as melhores até as piores. no caminho do trabalho até a casa sentia os pés puxando pra trás, como quem quer voltar no tempo pra não ter ouvido aquelas duas ligações.
chegou na praça e viu que o pé ainda estava arranhado, desde aquele dia em que tudo começou. quando viu o rosto da amiga já entendeu. esperou só a confirmação, e a cabeça dando loopings coloridos. tentava organizar tudo. passou uma tarde tentando. passa ainda a noite.
nem a cachaça e duas cervejas serviram pra pará-la.
tão estranho, o arranhão no pé durar mais que aquela história toda.
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