sábado, 12 de março de 2011

Deixei meu coração em um canto qualquer de Santiago

Cheguei ontem ao Brasil, depois de uma tentativa inconsciente de adiar a minha volta. Fiquei no Chile por mais 5 horas, em troca de meros trocados em dólares, e em detrimento de um retorno antecipado e menos cansativo. Mas queria ficar. Meu coração pulou quando a atendente da companhia aérea falou em ficar mais um tempo por ali devido a um overbook. Aceitei sem pensar muito nas consequencias, sem levar em conta que levaria mais 17 horas para eu chegar em casa, ao invés das 9 horas iniciais.
Fiquei, querendo ficar muito mais.
Me sentia já parte de um povo. Me identifiquei finalmente com aquela gente, sem me sentir um pedacinho deslocado e esquisito. Lá as pessoas são educadas, conscientes, têm olhares intensos e sorriso sincero. Claro que há exceções, mas a regra é essa: os chilenos são simpáticos e educados. Os chilenos são bonitos, charmosos e flertam como ninguém. Dois ou tres me conquistaram com um olhar que demorou, um sorriso cheio de charme. Eles me conquistaram todos, por inteira.
Deixei meu coração lá, voltei vazia e cheia de vontades.
Mas um dia eu volto para encontrá-lo, talvez perdido nos Andes ou nas ruas limpas de Santiago. Talvez em um canto qualquer perto do Pacífico, ou no deserto do Atacama. Mas eu volto, para resgatar meu coração e, quem sabe até mesmo, criar raízes por lá.

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