sábado, 2 de outubro de 2010

Nada demais

A verdade é que eu não sei bem o que falar por aqui hoje. Me deu uma vontade enorme de escrever uma coisa bonita, daquele jeito que eu gosto, quando as palavras vão se formando na ponta dos meus dedos sem que eu pense muito. Mas eu não tenho um assunto bem certo pra falar por aqui, então não espere grande coisa. Eu sei que hoje me deu uma saudade da minha casa. do meu quarto, da minha cama, do meu banheiro, da minha cozinha, do meu elevador e até da vaga da garagem. Me deu saudade de abrir a porta, que é tão dificil de abrir as vezes, e de poder assistir Friends enquanto eu almoço com a TV virada pra mesa de jantar. Saudade da minha bancada que fica bagunçada só de quarta até sexta, e da minha gavetinha de esmaltes. Do meu armário mais ou menos organizado, da minha mini gaveta de escova de dente, da geladeira lotada de vasilhas com restos de comida que eu guardo só por causa do peso na consciência que me dá se eu preciso jogar comida fora. Saudade da torneira do banheiro que vai diminuindo a pressão em escala geométrica a medida que o tempo passa, e saudade da porta do box que molha toda quando eu vou entrar no chuveiro. Saudade do solzinho que bate no meu quarto de manhã. Saudade de acordar e ir na cozinha, abrir a porta da área e sentir cheiro da manhã. Saudade do vigia filho da mãe que fica conversando até altas horas na garagem do posto, e não me deixa dormir. Saudade de arrumar minha cama de manhã, e esquentar pão de queijo de ontem no microondas pra comer no café. Saudade do meu computador e de todos os meus arquivos que tem lá. Saudade de dar três passos a noite, que vão do interruptor da luz até a minha cama. Saudade de olhar pra minha prateleira de livros e sentir muito orgulho dela. Saudade de abrir minhas gavetas e ficar olhando o que tem dentro, só como desculpa pra adiar um pouco mais o estudo. Saudade dos quadros de Nova York que até hoje estão no chão, esperando um martelo e um prego amigo. Saudade de assistir Dawson's Creek com os pés no pufe de couro, saudade de dar oi pra faxineira quando eu chego em casa depois da aula. Saudade dela, e do meu pequeno. Não é que aqui esteja ruim. É que eu não pertenço a essa casa. E isso dói. Hoje cortei meu cabelo. Eu sempre tenho um sentimento de mudança enorme quando corto meu cabelo, e principalmente uma mudança radical, como dessa vez. Meu cabelo estava batendo no meio das costas, enorme!!! Eu cortei ele na altura do meu ombro, com a franja mais repicadinha e cheio de pontas. Ficou bacana, mas adiou o meu projeto de assumir os cachos por um tempo, porque meu cabelo nessa altura sem uma boa progressiva vai ficar estilo Maria Bethânia.

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