era mais uma sexta feira de boêmia para os dois.
a celebração de fim de ano dos amigos tinha chegado ao fim, e restaram ali na mesa vazia do bar de sempre. mãos entrelaçadas, entre beijos e mordidas a conversa chegou ao ponto de sempre: eles.
ela já estava leve depois da caipirinha e das tantas cervejas. ele a chamou de amor de pessoa, ela custava a acreditar. tentava retribuir as palavras mas parecia não ter sucesso. ele finalmente pediu: disse que chegaram em um ponto que já não havia mais como esconder o muito que entre eles existia. perguntou se ela sentia o mesmo, porque ele nunca conseguia decifrar. os olhos dela se encheram de lágrimas e a sorte foi que as luzes do prédio se apagaram anunciando a avançada hora. na penumbra então ela lhe falou que o tanto que sentia era um tanto nunca sentido. que ele estava causando nela coisas que nunca haviam sido causadas. que era novo, e era imenso.
disse também que não podia nem devia nem queria exigir nada dele.
mas que nela a situação era essa: imensa, intensa.
lhe parecia tão difícil crer que aquilo não era óbvio. porque ela sentia tanto, e achava que para o mundo aquilo também era palpável. mas não.
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