segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

dos clichês, das possibilidades e do Pellegrino

a vida é feita de escolhas, isso todo mundo sabe e já é clichê. é tão clichê, que já virou clichê falar que é clichê, sabe como? então. mas é a mais pura verdade.
quando criança ninguém pensa em possibilidades de vida. possibilidade pra criança é tema do aniversário de sete anos, cor da parede do quarto, sabor do sorvete. as coisas fluem, não rola a dúvida, a escolha. tem quem escolha pra gente. aí chega a adolescência e a coisa não muda muito no final das contas. as escolhas aumentam, mas tem toda uma rede de proteção lá em baixo esperando você em caso de queda. é tão mais fácil.
aí a gente vira jovem: o meio dia da vida, já dizia o Pellegrino. é lindo que só vendo. mas são tantas, mas tantas possibilidades. você pode sair mais, pode dedicar aos estudos. pode ter um milhão de amigos ou um grupinho de poucos e bons. pode escolher um curso, pode mudar de curso, pode largar o curso e cair no mundo porque, né? somos jovens. tão jovens. pode transar sem camisinha, pode fazer uma tatuagem, pode arrumar um namorado ou beijar todos os caras interessantes que aparecerem na sua frente. pode se entregar a uma grande causa, pode se entregar à boêmia (que pode, também, ser uma grande causa). pode correr atrás de grana pro intercâmbio, pro carro, pra sair de casa. pode viver de trocados, pode viver na miséria boa e saudável de um jovem, e não é vergonha. pode ter um filho, pode escolher não tê-lo. e você faz tudo isso sabendo que pode mudar. é tudo tão volátil. tão inconstante. tão bonito.
pode ouvir Janis Joplin, pode tomar um porre com Hendrix, pode fechar os olhos e dançar com o Caetano. pode recitar o Chico, pedantismo nunca é demais quando somos jovens. pode pular carnaval cantando Luiz Caldas, pode se entregar aos acordes independentes, pode se entregar aos ritmos regionais.
pode ler um grande clássico da literatura russa, pode ler o sertão que é grande, pode ficar meses na teoria  freudiana ou pode se contentar com um gibi. você, afinal, é jovem.
poder tudo porém, não é o grande barato de ser jovem. o grande barato de ser jovem é descobrir esse poder tudo.
e, creio eu, que o grande barato de ser maduro seja saber que esse poder não acaba.

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