e vai pra rua. o cabelo bonitamente bagunçado, a roupa com cara de ficar em casa, a gola preta de sempre a esquentar o pescoço (na falta de algo mais humano), e vai. o cheiro da rua, do lixo na calçada, da comida do bar lotado de sexta feira, do perfume da moça que vai pro bar.
são tantos cheiros, luzes, frios.
e ela vai, compra o que quer comer e volta pelo mesmo caminho. a moça agora é outra, a comida é outra, o lixo ainda está lá. o frio é outro e a música nos ouvidos já mudou.
e o bichinho dos rabiscos coça dentro dela, pra fazer aquele rabisco que ela tá querendo há tempos. afinal, somos mesmo, meros instantes.
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