segunda-feira, 23 de abril de 2012

esse é só o começo do fim da nossa vida

a minha falta por aqui se deve a outras faltas: a do computador que ainda é grave e incomoda e a de tempo.
amanhã faz três semanas que eu comecei a trabalhar. no outro trabalho. feriado de páscoa eu tive uns cinco empregos. na verdade foram só dois, mas cada hora era um. acabei optando pelo que me dá mais segurança e dinheiro. eu sei, covardia. um pouco. mas não é tudo covardia. sabe, querer um pouco de segurança quando sua vida tá toda se adaptando não é crime. e foi isso que eu escolhi.
comecei a trabalhar num hospital, olha a ironia. a ex-futura médica que resolveu virar advogada foi trabalhar logo em um hospital. e vago pelos corredores fingindo que sou o que antes queria ser. mas ali a vontade não é forte. foi forte quando eu entrei na santa casa e vi que as coisas ali eram diferentes e um médico por lá faz falta.
o trabalho anda me tomando um tempo enorme. o pequeno também. não consigo dar uma passadinha nunca, é sempre uma passadona. subir os doze andares de escada, chegar lá bufando e lavar as mãos um milhão de vezes. olhar praquele rostinho lindo, aquele meninão, pequeno homem. meu coração anda alegre de ir lá e ver ele bem. cada dia melhor, andando, sentando, comendo. lindo!
fora isso ainda tem a faculdade. o curso começou de verdade. texto, mais texto, livro inteiro, trabalho, prova, estudo dirigido. ando com vontade de ir a aula só pra ver gente, e gentes especiais. um em especial. anda me dando sopro de esperança. bom né?

hoje o dia foi do Cícero. o dia inteiro. coisa mais linda a versão que ele fez de Conversa de Botas Batidas, ainda mais com Drummond no meio falando de amor. sempre bonito, e essencial pra melhorar o almoço caro e ruim que eu engoli no shopping do glamour, correndo em meio ao trabalho, o pequeno, o texto e a faculdade.

e no mais, tudo na mais perfeita paz.

(e só pra acabar, o poeminha lindo do Drummond:

Memória


Amar o perdido
deixa confundido
este coração.


Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.


As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.


Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.


lindo, né?)

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