sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Cadê a Liberdade da Praça?
Há uma semana, eu saí da aula a tarde. Deviam ser umas seis horas da tarde, e a Praça da Liberdade estava toda fechada desde meio dia, para a inauguração de um relógio para a contagem regressiva da Copa do Mundo. Mas junto à inauguração, os professores que estão em greve há mais de 100 dias (no dia completavam 100 dias) fazim um protesto. Passei por aquela manifestação (foi a segunda vez em um mês), e subi a Cristovão Colombo a pé porque os onibus não estavam passando - o trânsito estava um caos. Bom, deixando a conversa de lado, o que eu quero dizer, é que passei por aquela manifestação morrendo de orgulho, cheia de vontade de parar ali e apoiar todos aqueles manifestantes que estavam lutando por uma coisa tão digno, um direito deles.
O fato é, se eu tivesse continuado ali até mais tarde, teria presenciado a cena do vídeo. Tão triste, poderia estar em um filme ou novela sobre o período da ditadura militar.
Vergonha, é o que eu senti.
Vergonha de ter votado em um cadidato que deixa uma greve chegar aos cento e tantos dias, sendo que os professores estão lutando não por uma coisa absurda, mas pelo teto salarial previsto por lei. Vergonha de ter votado em um candidato que ordena à sua PM que abra fogo contra os manifestantes que estão fazendo um protesto pacífico. Isso sem falar na vergonha de morar numa cidade onde fecham o trânsito num dos lugares mais movimentados durante toda uma tarde por causa de um evento que só vai acontecer às 20hrs. Vergonha, muita vergonha.
A Praça da Liberdade, quanta ironia, palco de repressão em pleno século 21.
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