sábado, 6 de setembro de 2014

Geniris

antes de sair da terapia, dra. Geniris me disse que eu não estava pronta ainda pra parar. na época, continuar infelizmente não era uma opção pra mim. eu começava a trabalhar, começava a faculdade, faltava tempo, faltava dinheiro, sobrava vontade de me ver livre da minha avó e o cheiro de cigarro impossibilitava tudo, ainda mais.
mas Geniris estava certa. eu não estava pronta. me lembro perfeitamente de como ela disse que quando eu viesse a me envolver com alguém, que eu não estaria pronta.
demorou preu perceber. demorou pra acontecer.
e quando veio, veio grande. veio forte.  tanto o sentimento quanto as dificuldades. desde o início, pra demonstrar o que eu sentia, pra passar pro outro o meu interesse, minhas vontades. o primeiro "eu te amo" foi trágico. sim, trágico. doeu em mim, me assustou, me balançou. não acho que isso acontece com qualquer um. mas, como Geniris disse no dia que eu saí de lá pra nunca mais, eu só tinha aprendido a lidar comigo até então. não sabia ainda lidar com o outro. sempre fui o tipo de pessoa que não se incomoda de estar sozinha. aliás, incomodar incomoda, as vezes. mas a gente se acostuma a ser sozinha. só de vez em quando que vem a falta. ela dói (doía), mas passa (passava). era o que a Geniris falava. Geniris só me acompanhou até quando eu tinha ainda uma amiga na faculdade e um rapaz que me interessava mas que eu via como impossível (que acabou se mostrando impossível, mesmo depois da possibilidade). Geniris não me viu com vários amigos, não me viu atuante na Faculdade. grandes merdas, eu sei. mas eu cresci ali, sim. eu soube lidar com o outro. aprendi isso sozinha, a lidar com os amigos, a lidar com colegas, a lidar com desafetos até. acho que ela ficaria orgulhosa de me ver nessa época.
mas depois aconteceu o que ela previra. que eu ia me envolver com alguém, e que não ia saber lidar com esse tipo de "outro".
e aí passaram mais de 10 meses. tropeços, inúmeros. difícil, muito difícil. muito amor, muito. lágrimas, mil. taí outro problema que a Geniris não resolveu enquanto estive com ela: as lágrimas, incontroláveis e detestáveis, tão incômodas.
mas chegou num momento, que não pode continuar como está. e que 96% da mudança tá nas minhas costas. e eu quero, muito. quero ficar bem, quero ter paz no coração, quero amar sem ter que fazer as pazes 3 vezes por semana. quero que problemas sejam menos constantes e mais tranquilos. quero parar de machucar o outro, quero nunca mais ter que ver o que eu vi ontem. quero parar de perguntar se "cê tá bem" pra saber como, na verdade, nós estamos. quero perguntar só quando for pra saber se ele está bem na vida, no mundo, no um, singular.
volta, 3  vezes pra mim, cada vez que eu machuco o outro. que merda. que merda. que merda. mais uma vez não pode, mais uma vez não dá.
e hoje eu só consegui pensar no que a Geniris me disse naquele dia.

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