vivo hoje esse limbo. entre o não sentir nada - o sentir amizade apenas -, e o sentir amor. abro hoje aqui meu coração, ou o que resta dele. ou ainda, o que se imagina que existe nele para os mais céticos. passados 21 anos da minha vida (exatos 21 anos e um dia), me envolvi com alguém que me trouxe um algo a mais. um querer mais, talvez. há quase um mês nos envolvemos pela primeira vez e há quase um mês que nos envolvemos, dia mais dia. não sei se mais a cada dia, mas a cada dia nos envolvemos. e me perco em investigações acerca do teor do limbo existencial de hoje.
o primeiro grande acontecimento foi o primeiro dia. o dia em que, tomados pelo álcool e pela noite, nos jogamos em um táxi, depois em um carro, e daí em diante em um algo a mais, mais que só a amizade. vieram outros acontecimentos nos dias seguintes: as mensagens do pós de falta de graça, os primeiros olhares ruborizados, a primeira conversa pra tentar quebrar o clima (que, diga-se de passagem, foi um tanto quanto mal sucedida no seu objetivo primeiro). e mais algumas cervejas, uma série de confissões, compartilhando passagens de vidas e segredos, entre mãos dadas e beijos, a "envolvência" se manteve. veio a segunda noite, muito mais sóbria e exata. e os finais de semana, e as mensagens, e os problemas compartilhados, e as risadas mil.
e o limbo que aumenta dia após dia, que instiga todos os meus sentidos em busca de uma percepção mais madura acerca dos fatos e dos sentimentos. e que ao mesmo tempo me faz querer não entender muita coisa para além da existência do limbo. mas que também me faz, em momentos não muito raros, querer prever futuro e colocar ordem na casa.
e na última noite o sentir lado a lado, sentir o respirar e o suspirar, e o não dormir, e o dormir pesando a cabeça encostada na minha cabeça, e eu só consigo me perguntar: o que está acontecendo? e será que eu realmente quero saber o que está acontecendo?
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