Não pisar na bolar, não dar vacilo, não pagar mico. Evito cada situação possivelmente constrangedora, me atiro no vazio da falta de ação e acho que é bom viver assim.
Achava.
Comecei a entender que evitar a ação é igual a evitar a vida. Porque viver é agir, é ser. É tentar ser. É errar, se perder e tentar se encontrar. Agente quase nunca se encontra, pra falar verdade. Mas o que nos move é essa última esperança de plenitude, se pertencer.
Eu me pertenço inteira ou quase por dentro. Mas pro mundo, sou uma interrogação. Um poço de contradições,
um coisinha sem graça.
A menina do fundo da sala, que não fala, mas interage com a aula. Ela ri das coisas engraçadas, das ironias. Ela balança a cabeça em sinal de aprovação ou reprovação, ela ouve o sinal e espera pelo fim da aula. Mas ela é só isso, e se acha tão mais. Porque é muito mais pra si mesma. Mas pro mundo, não se revela com medo de errar.
Alguém tem notícia de um hospício pra gente com medo de viver?
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