Hoje eu tive o meu último dia de aula da minha vida escolar.
Desde sábado, eu estava ansiosa e só pensava nos últimos: a última segunda feira, a última terça, quarta, quinta, sexta, sábado. A última vez que eu ouviria o sinal, o último recreio, última vez que eu pegaria aquele ônibus, a última vez que eu desceria as escadas, o último almoço no Café. Desde semana passada, que eu venho vivendo nesse clima saudosista, guardando a saudade que fica dessa época tão boa que é a escola, e desse 3º ano que foi tão maravilhoso apesar de todos os tropeços, erros e do sufoco. Eu senti isso hoje, o dia inteiro. Desde a hora que eu cheguei na sala e disse mais uma vez: "tá acabando, gente!", até a hora que eu fiz um discurso em voz alta(!!!) na sala, e depois outro discurso emocionado no almoço para os amigos. Eu vivi intensamente todo esse clima de saudosismo e nostalgia antecipada hoje, o dia inteiro. Vivi isso intensamente para poder guardar no coração tudo que fica de bom, e poder então continuar caminhando por essa vida louca, voltando só de vez enquando nessas lembranças, só pra relembrar um pouquinho e sentir o tanto que foi bom. Porque no final das contas, foi muito bom. Se meu último ano fosse uma música, seria "Valeu a pena, ê ê, valeu a pena, ê ê, sou pescador de ilusão...".
Porque no final das contas, valeu a pena. E foi muito bom.
O dia hoje foi bem intenso, desde a hora que eu acordei e vesti minha blusa de uniforme (pela último vez), e me dirigi à escola, passando por aquele caminho da roça que já ficou tão natural aos meus olhos. A aula da Regina foi boa, o Flávio estava de bom humor(!!) e aceitou a caneca GG que nós compramos pra ele com um sorriso no rosto, contrariando nossos temores de uma reação sem graça, ou muito sem graça. O Rommel deixou de lado a física, deu dicas de como fazer a prova e acabou a aula falando coisas tão boas, que eu precisava ouvir pra poder enxergar que eu estava certa. Ele falou que se na hora da prova bater um desespero, e agente tiver vontade de chorar, que é pra pensar: eu vou decepcionar minha família? FODA-SE!!! Eu vou decepcionar minha escola? FODA-SE!!! Eu vou decepcionar o Rommel? FODA-SE!!! Porque a prova é minha, a vida é minha, e principalmente: existem coisas mais importantes na minha vida do que aquela prova. Se não der certo nesse ano, ano que vem tem mais.
A aula do Zé... Ah! A aula do Zé!!! Ele também desistiu da geografia, e acabamos fazendo um revezamento de discursos. Cada um falou um pouquinho, e quando eu falei minha voz saiu firme, falei bonito e até fui aplaudida. Cada um derramou naqueles minutos um pouco da importância desse ano, pedimos desculpas, agradecemos uns aos outros, e teve gente que falou bonito ao adimitir erros e se desculpar. Naquele momento, estávamos todos muito emocionados, e eu realmente me senti parte daquela "família". O Zé, chorou igual a um menino, e falou bonito também.
Assistimos uma pequena despedida que o colégio preparou pra gente, e saimos rumo ao Diamond, pra almoçar. Foi agente pisar na rua que começou a chover, só pra dar um charme a mais naquela melancolia toda. Mesmo assim, nós fomos andando na chuva, e foi uma delícia. Chegamos ao Diamond enxarcados, mas felizes. Almoçamos, eu falei um pouco para aquelas pessoas especiais sobre o quanto que elas foram especiais nesse ano, e chorei também. Deixei o que ainda havia de armadura sobre mim cair, e me mostrei nua e crua. E o mais importante: falei firme.
Passamos o resto da tarde despretensiosas, andando pelo shopping e tentando não pensar na prova de amanhã. Foi muito bom. Eu desejei que o dia de hoje nunca acabasse, e eu pudesse ficar ali, naquela redoma chamada shopping pra sempre. Mas como não é possível, saímos de lá, nos despedimos com um abraço e muitos desejos de boa sorte e sucesso.
Até agora estou vestindo meu uniforme, adiando o fim dessa útlima vez.
No final das contas, foi tudo muito bom.
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